A demora no repasse de recursos e o bloqueio de R$ 1,3 milhão para pagamento de dívidas trabalhistas levaram a diretoria do Garantido a anunciar paralisação da construção de alegorias e fantasias para o Festival Folclórico deste ano. A festa acontece dias 29 e 30 de junho e 1º de julho. “É nossa última alternativa, diante das dificuldades”, disse o presidente do bumbá, Telo Pinto.

O presidente Telo Pinto anuncia a paralisação do trabalho do Garantido, que já teve que improvisar tendas na Praça dos Bois por causa da enchente que alagou seus barracões
O anúncio da paralisação foi feito em entrevista coletiva, sábado à tarde (26/05), no Bumbódromo. Os 13 artistas de ponta do bumbá participaram e concordaram com a medida, assim como os representantes dos conselhos de ética e fiscal do Garantido.
Dos recursos esperados pelo Garantido, apenas 20% foram liberados. No ano passado, no mesmo período, mais de 60% já tinham sido depositados na conta do bumbá. “É uma decisão que não nos agrada, mas deve ser tomada, pois, estamos com dificuldade em pagar nossos artistas, além de outros compromissos. Não temos de onde arrumar dinheiro para segurar as ações em andamento”, enfatizou.
O pagamento dos trabalhadores do bumbá vai para o segundo mês em atraso. Telo também disse que o risco do boi não se apresentar no Festival existe e que pelo menos haverá um grande atraso na confecção de alegorias e tribos para a disputa no Bumbódromo.
No dia 10 de maio, a Justiça do Trabalho expediu ofício aos patrocinadores do Festival com determinação de bloquear R$ 1,3 milhão. O documento foi assinado pelo juiz Aldemiro Dantas. O valor do débito é referente a dívidas de processos trabalhistas com Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). O diretor jurídico do Garantido, Fábio Cardoso, afirmou que os processos foram julgados em administrações anteriores. “É consequência de ações julgadas a revelia. Algumas datam do ano de 2004, como no caso do ex-amo do Garantido, Edilson Santana”, disse.
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