A subida das águas do rio Negro, no Centro de Manaus, com transbordamento das galerias de esgoto, obrigou o Governo do Estado a jogar, hoje, nas ruas Barão de São Domingos e dos Barés, dez toneladas de óxido de cálcio (cal). É uma tentativa de neutralizar as pragas urbanas e o odor que começam a proliferar no local.

O cal está ajudando a combater o odor das águas represadas e com o esgoto das galerias do Centro. Fotos: Alfredo Fernandes/ Agecom/ Divulgação
Sábado as águas do Negro subiram 2 centímetros, domingo 3cm e nesta segunda outros 3cm, elevando o nível do rio para 29m72, 3cm a mais que na enchente de 1953 (29m69), a segunda maior de todos os tempos. Faltam apenas 5cm para chegar aos 29m77 recordes de 2009, o que dificilmente deixará de ocorrer ainda esta semana. Os engenheiros temem é que a enchente atinja a famosa “cota 30”, considerada medida de segurança das edificações construídas nas margens do rio Negro.
O secretário adjunto do Subcomando de ações de Defesa Civil do Estado (Subcomadec), Hermógenes Rabelo, disse que o cal nas ruas do Centro é uma medida que reforça o pacote de ações do Governo do Amazonas para minimizar os prejuízos provocados pela cheia. “Não podemos impedir o fenômeno natural, mas estamos nos esforçando para amenizar o sofrimento da população”, disse, destacando que o procedimento químico serviu para reduzir os impactos da cheia em 2009.
O tratamento químico, segundo ele, é realizado em parceria com a empresa Águas do Amazonas, a qual deverá fazer avaliação contínua da qualidade da água. “Esse acompanhamento vai definir a quantidade exata e periodicidade com que o cal será depositado na água parada”, reforçou.
Além acabar com o mau cheiro e a proliferação de doenças, o tratamento com cal atende à expectativa de muitos comerciantes do entorno da Manaus moderna que querem atrair a clientela, que diminuiu depois da cheia.
O comerciante de lubrificantes automotores, com loja na rua dos Barés, Ricardo Chagas, 40, disse que as vendas caíram pelo menos 30%. “As pessoas têm evitado passar por aqui, principalmente pelo mau cheiro. Outro detalhe que afasta os clientes é o fato de a água suja atrair mosquitos e baratas”, reclamou.
Na rua Barão de São Domingos, segundo Cláudia Maia, dona de uma loja de doces, o problema com mau cheiro melhorou desde a instalação de duas bombas de fluxo reverso no local pelo Subcomadec. As máquinas fazem a constante renovação da água represada na rua. “O cheiro estava insuportável até para nós que estamos aqui trabalhando. Agora a movimentação está melhorando aos poucos”, disse.
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