Sentir dor não é normal, mas é uma condição que acomete as pessoas de tempos em tempos. Afinal, a dor funciona como um mecanismo de alerta do nosso organismo, indicando a existência de algum dano, doença ou perigo no nosso corpo. Entretanto, existem situações onde dores e outros sintomas não estão associados à lesão de algum órgão ou tecido. A dor pode se tornar crônica e precisa ser tratada adequadamente. Uma das mais complexas enfermidades envolvendo a dor é a fibromialgia, uma síndrome clínica que se manifesta de forma difusa e generalizada por todo o corpo. Neste sábado (12 de maio) é o Dia Mundial da Fibromialgia.
Até o momento do diagnóstico, a fibromialgia é uma condição desconhecida para 70% dos pacientes brasileiros. Segundo a pesquisa “Fibromialgia: além da dor” 1, realizada a pedido da Pfizer, no Brasil, 98% dos pacientes concordam que a fibromialgia é uma doença que não se conhece bem, enquanto que 77% dos clínicos gerais e 84% dos especialistas acreditam que a enfermidade não é muito conhecida, inclusive, entre os próprios médicos. “É relativamente difícil diagnosticar a fibromialgia, devido à ausência de características clínicas e laboratoriais que sejam específicas desta condição e pela possibilidade de se confundir com várias doenças”, explica o reumatologista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luis Roimicher2.
Além da dor, outras queixas são comuns na fibromialgia, como cansaço, sono não reparador (mesmo após dormir uma noite inteira, o paciente acorda cansado) e distúrbios de atenção e memória. “Os pacientes também podem sofrer de outros sintomas, como cefaleia, dores torácicas e abdominais, dormências nos membros e transtornos do humor. Esses fatores precisam ser bem investigados pelo médico antes do diagnóstico definitivo”, orienta. Por causa dessas características, 68% dos especialistas e 66% dos clínicos gerais brasileiros revelam que há dificuldade de distinguir esses sintomas dos de outras doenças1. Algumas enfermidades que possuem semelhanças com a fibromialgia são:
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DOENÇA |
SEMELHANÇAS |
DIFERENÇAS |
| Hipotireoidismo: distúrbio da glândula tireoide que diminui ou impede a produção de hormônios que estimulam o metabolismo | Causa, entre outros sintomas, fadiga e dor muscular | Um exame de sangue revela baixos níveis de hormônios tireoidianos (T3 e T4) e aumento do TSH que podem ajudar no diagnóstico do hipotireoidismo |
| Artrite reumatoide (AR):doença inflamatória crônica, cuja principal característica é a inflamação crônica nas articulações causada por disfunção no sistema imunológico do indivíduo | A doença causa dor nas articulações e rigidez matinal. Nas fases iniciais pode ser confundida com a fibromialgia | Além da dor, a AR é uma doença progressiva, cursa com inchaço nas articulações e pode evoluir com erosões ósseas e deformidades articulares irreversíveis. Exames laboratoriais como o fator reumatoide e o anti-CCP podem auxiliar no diagnóstico |
| Lúpus: doença autoimune capaz de provocar manifestações clínicas variadas, como febre, manchas na pele (lesões avermelhadas no nariz e face), entre outras manifestações | A dor articular é um dos sintomas mais comuns. A doença ainda pode causar fadiga e dor muscular, localizada ou não | Além das lesões na pele, a anemia e o acometimento de outros órgãos (por exemplo, os rins) podem aparecer facilitando a distinção entre lúpus e fibromialgia. Exames laboratoriais também auxiliam no diagnóstico do Lupus. |
| Síndrome de Sjögren:doença autoimune que diminui a produção de saliva e lágrimas, podendo ainda afetar órgãos como os pulmões dentre outros. | Inicialmente, dores difusas e nas articulações, além de fadiga, estão entre as manifestações comuns da doença | Exames de sangue, além de testes específicos para mensurar a produção de saliva e lágrimas, podem ajudar a diferenciar a doença da fibromialgia |
O diagnóstico correto da fibromialgia
Não há radiografia, ressonância ou exame de sangue que diagnostique a doença, o que torna fundamental a interação entre médico e paciente. Tanto especialistas quanto clínicos gerais precisam estar munidos das informações sobre os sintomas que acompanham as dores e entender o perfil do paciente fibromiálgico. “Muitos pacientes estão sentindo dor há muito tempo, ou porque não conseguiram atendimento adequado ou devido a diagnósticos imprecisos. Por causa do desconforto, geralmente, eles são prolixos, possuem muitas queixas e amplificam os sintomas, o que pode resultar na procura por médicos de diferentes especialidades”, explica Roimicher.
De acordo com o especialista, é comum que os médicos, motivados pela incerteza do diagnóstico clínico, solicitem exageradamente exames complementares, como os de ressonância magnética e laboratoriais. “Atualmente há uma supervalorização dos exames complementares que, muitas vezes, podem criar ainda mais confusão na hora de definir e tratar o problema”, alerta. “Nesses casos, uma boa apuração do histórico clínico do paciente e um exame físico cauteloso são mais úteis para chegar ao diagnóstico correto. E, nesse caso, o papel do paciente é fundamental”.
Para ajudar os profissionais de saúde, o Colégio Americano de Reumatologia definiu, na década de 1990, 18 pontos de dor utilizados como referência para classificar o paciente como portador de fibromialgia, levando-se em conta também outros sintomas (vide ilustração abaixo). Apesar de não se conhecer a real causa da doença, estudos indicam que há uma amplificação dos impulsos dolorosos pelo sistema nervoso central. O envio exagerado desses impulsos pode ser a resposta de tanta dor, que acaba se tornando crônica.
Em 2010, um grupo de especialistas do Colégio Americano de Reumatologia formulou novos critérios para o diagnóstico de fibromialgia3, que estão em processo de validação. Não serão mais exigidos os pontos dolorosos, e sim, a presença de dor em diversas regiões do corpo simultaneamente e a existência dos sintomas associados, como sono não reparador, cansaço significativo, distúrbios da memória ou raciocínio e outros sintomas somáticos não explicados pela presença de outra doença. A expectativa é que os novos critérios facilitem o diagnóstico da fibromialgia.
Qualidade de vida e trabalho
A fibromialgia impacta significativamente em diversos aspectos da rotina dos pacientes. Para se ter uma ideia, 91% dos pacientes1 reclamaram que a doença afeta a qualidade geral de vida, 79% apontaram dificuldades na mobilidade física e 67% destacaram que o ânimo é prejudicado por causa dos sintomas. No âmbito profissional, tanto clínicos gerais (75%) quanto especialistas (70%) concordam que a enfermidade prejudica a capacidade de trabalhar dos pacientes:
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A abstinência de trabalho também é um problema decorrente da doença. Cerca de 84% dos pacientes relataram ter faltado pelo menos 01 dia ao trabalho durante o ano. Outros 51% já chegaram a perder mais de 40 dias trabalhados por causa da fibromialgia.
“Infelizmente, não há cura para a fibromialgia. Após a confirmação do diagnóstico e o tratamento adequado, o paciente terá que adaptar sua rotina a fim de aliviar os períodos de dor”, informa Roimicher. Os fibromiálgicos precisam reconhecer os fatores agravantes da doença, como o aumento dos sintomas durante o frio e a umidade, o sedentarismo e o estresse. O lado emocional pode exigir uma abordagem especializada em alguns casos, pois os sintomas crônicos incomodam tanto que podem levar a distúrbios do humor, como ansiedade e depressão. Às vezes isso pode se tornar um círculo vicioso, já que a dor crônica gera ansiedade, o que piora o sono e prejudica a qualidade de vida do paciente no trabalho, em casa e no âmbito social, aumentando sua sensibilização à dor.
Para tratar uma doença com sintomas tão diversificados, o tratamento medicamentoso orientado pelo médico é o melhor caminho. Entre as opções de terapias farmacológicas, alguns medicamentos ajudam no controle dos sintomas, como analgésicos e relaxantes musculares. Utilizam-se ainda antidepressivos e neuromoduladores – nesta classe, existe a pregabalina (Lyrica), que atua diminuindo o excesso de mensagens de dor transmitidas dos nervos para o cérebro e, além de amenizar a dor, melhora a qualidade do sono do paciente e reduz a ansiedade. Vale ressaltar que o paciente deve sempre consultar um médico – profissional capacitado para fazer o diagnóstico correto e indicar o tratamento mais adequado para cada caso.
O reumatologista Luis Roimicher reforça outro ponto, que necessita ser desmistificado: “muitos pacientes acham que a prática de atividades físicas pode comprometer o tratamento e agravar o quadro de dor. Pelo contrário, a realização de esportes leves como caminhada, hidroginástica, natação e alongamentos costumam trazer grandes benefícios para quem tem a doença. A fibromialgia não é incapacitante. Tudo é uma questão de mudança de estilo de vida, acompanhamento médico e aderência ao tratamento recomendado”, conclui.
Fonte: Assessoria de imprensa da Pfizer
Referências:
1. Pesquisa Fibromialgia: Além da Dor, encomendada em 2011 pela Pfizer e realizada pelo Instituto Harris Interactive no Brasil, México e Venezuela, com 904 participantes: 604 clínicos gerais e especialistas (reumatologistas, neurologistas, psiquiatras, especialistas em dor) e 300 pacientes.
2. Luis Roimicher é reumatologista, professor de reumatologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e chefe do núcleo de pesquisa em artrite reumatoide do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ).
3. Frederick Wolfe,1 Daniel J. Clauw,2 Mary-Ann Fitzcharles,3 Don L. Goldenberg,4Robert S. Katz,5 Philip Mease,6 Anthony S. Russell,7 I. Jon Russell,8 John B. Winfield,9AND Muhammad B. Yunus10 Arthritis Care & Research – vol. 62, no. 5.
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