Os 25 anos da morte de Arthur Virgílio Filho, que foi Senador da República pelo Amazonas, foi recordado em Missa de Ação de Graças celebrada no sábado (31.03), às 19h, na igreja de Nossa Senhora da Conceição (Matriz), pelo arcebispo de Manaus Dom Luís Soares Vieira. Além da família, a celebração reuniu amigos e políticos.

Durante a celebração, o ex-senador Arthur Virgílio Neto agradeceu a amizade do arcebispo Dom Luiz Soares Vieira. Fotos: Arlesson Sicsú
Veja a mensagem, lida por seu neto, o deputado Arthur Virgílio Bisneto, durante a missa:
Mensagem de Amor
A Arthur Virgílio Filho
Temos muitas saudades do pai amoroso e do homem público que merecia a admiração dos amazonenses e brasileiros. Percorreu vida curta e intensa, que nos feriu por ser curta, e nos dá muito orgulho por ter sido trilhada intensa e decentemente.
Vinte e cinco anos depois – um quarto de século – parece muito tempo. Ele já virou personagem da história. Para nós, no entanto, parece que foi ontem. As lembranças que nos legou estão vivas e marcantes: a figura reservada, sisuda com quem não conhecia, era brincalhão e intimista em casa.
Não nos sai da memória o homem de mãos e braços firmes que nos ensinou a nadar, a não temer momentos adversos, a não abdicar da altivez em circunstância nenhuma. Que nos ensinou a perdoar e a observar princípios como a honradez e a lealdade.
Ele nos dava as diretrizes do que devíamos ler para crescer intelectualmente. Nossa mãe, Isabel Victória, nos fazia sentar e cumprir as tarefas à risca. A mistura dos dois nos forjou o caráter e preparou para o mundo.
Temos orgulho do político exemplar, que respeitava como ninguém a coisa pública e mostrou o seu destemor nos anos de chumbo que terminaram por lhe cassar o mandato e suspender os direitos de cidadão. Inesquecível sua recusa em votar em Castelo Branco, soldados armados cercando e pressionando o Congresso: “Sou um líder sem liderados, Sr. Presidente. Minha bancada votará no Marechal Castelo, alegando um “realismo” do qual discordo. Prefiro ficar com minha consciência, com a coerência, a lealdade ao Presidente deposto, João Goulart e a Constituição brasileira. Meu voto é não”.
Foi o exemplo que recebemos, a herança preciosa que o dinheiro não compra, o patrimônio que nos faz hoje, e todos os dias, homenageá-lo e reafirmar o nosso amor incondicional.
Manaus, em 31 de março de 2012
Arthur Virgílio Neto, Ana Luiza, Júlio Verne e Ricardo Arthur
Biografia
Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro Filho nasceu em 12 de fevereiro de 1921, em Manaus, Amazonas, filho do Desembargador Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro e Luiza da Conceição do Carmo Ribeiro.

Arthur Virgílio Filho foi Senador da República, Deputado Federal e Presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas
Assim como seu pai, formou-se em Direito, em 1947, em Manaus, pela Faculdade de Direito do Amazonas e teve nele sua maior inspiração, já que o Desembargador Arthur Virgílio era conhecido como homem que “nasceu para praticar a justiça, pois nele se reuniam a sabedoria, a sensatez e a serenidade”. Em todas as comarcas do Amazonas em que serviu, o Desembargador Arthur Virgílio abriu escola (todas com o nome de Escola Tobias Barreto) para ensinar às pessoas as primeiras letras.
Arthur Virgílio Filho teve como atividades principais, além da política, a advocacia e o jornalismo. Foi presidente do Aeroclube do Amazonas e da Cruz Vermelha do Amazonas. Foi também Diretor Proprietário do jornal A Gazeta, de Manaus.
Ingressou na vida pública como chefe de gabinete do Governo do Amazonas. Em 1947, deu início à carreira parlamentar, elegendo-se Deputado à Assembléia Constituinte do Amazonas pela legenda do antigo Partido Social Democrático (PSD). Após a promulgação da nova Carta estadual, exerceu o mandato até janeiro de 1951, ainda na legenda do PSD e, mais uma vez, em outubro de 1954, pelo antigo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Nesse período de 12 anos, foi líder de Governo e de Oposição, Secretário de Economia e Finanças e do Interior e justiça, além de Presidente da Assembléia Legislativa.
Em outubro de 1958 elegeu-se Deputado Federal pelo Amazonas, como campeão de votos, assumindo o mandato no início de 1959. Em maio do mesmo ano tornou-se vice-líder do PTB. Depois, tendo sido eleito Presidente da República Jânio Quadros, candidato da UDN, partido tradicionalmente adversário do PTB e do PSD, Arthur Virgílio Filho tornou-se vice-líder do Bloco parlamentar de oposição.
Em 1961, apesar de estar na oposição, apoiou a política externa do Governo Jânio Quadros, sustentando os princípios de autodeterminação, não-intervenção e não-alinhamento do Brasil nas disputas entre os blocos hegemônicos internacionais. Já no Governo Goulart, em novembro de 1961, apoiou o reatamento das relações diplomáticas com a União Soviética, rompidas em 1947, e a Emenda Constitucional nº 5, que ampliou a participação dos municípios na renda tributária nacional.
Foi líder da bancada do PTB, em 1962, por aclamação, em substituição ao deputado pernambucano Oswaldo Lima Filho, que fora nomeado para o Ministério da Agricultura. Alinhado ao chamado Bloco Compacto do PTB, grupo que reunia parlamentares de tendências socialistas, teve atuação marcante e corajosa. Nesse mesmo ano, no pleito de outubro, elegeu-se Senador pelo Amazonas, tomando posse em fevereiro de 1963. No mês seguinte tornou-se líder do PTB e, em maio, passou a ser, também, líder do Governo do Presidente João Belchior Marques Goulart.
Em 16 de abril de 1964, já instalado o Governo militar, sob a chefia do gen. Castelo Branco, Arthur Virgílio Filho renunciou à liderança do seu partido, tendo em vista que seus aliados aderiam à ditadura nascente com a extinção dos partidos políticos, pelo Ato Institucional nº 2, e a posterior implantação do bipartidarismo, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), do qual se tornou vice-líder, no Senado, em 1968. Nessa época dura, nesses tempos de chumbo, Arthur Filho protagonizava os debates mais instigantes com seus adversários e amigos Senadores Daniel Krieger, líder do Governo, e João Agripino, líder da Arena.
Uma de suas principais batalhas, como Deputado, foi pela criação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Com a aprovação do seu projeto de lei, a quase centenária Universidade Livre de Manaos – primeira instituição de ensino superior do País – transformou-se em Universidade Federal. Em fevereiro de 2009, a Ufam, pelo Reitor Hidembergue Frota e pelo seu Conselho de Administração homenageou seu criador dando o nome de Arthur Virgílio Filho ao seu campus universitário. A ditadura não permitira que se lhe fizesse esse reconhecimento.
Em 1969, pelo fato de se opor ao regime ditatorial, Arthur Virgílio Filho teve, com base no recém-editado Ato Institucional nº 5, cassado seu mandato de Senador e suspensos por dez anos seus direitos políticos. Em 1979, sob o Governo Figueiredo, foi beneficiado pela anistia e, no Governo Sarney, exerceu a Presidência do INPS no período de 1985 a março de 1987.
Arthur Virgílio Filho faleceu em 31 de março de 1987, no Rio de Janeiro, tendo sido sepultado em Manaus.
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