Começou, na quinta-feira (16/02), o programa Ronda no Bairro. O processo de instalação pareceu demorado, para muitos, diante da premente necessidade de mudar os rumos da segurança pública em Manaus e da violência que ocupa grande parte do noticiário. É justamente aí, porém, onde reside o segredo para as coisas terem começado a funcionar, como estão funcionando, há mais de uma quinzena. Porque nada foi feito de afogadilho e o planejamento desceu aos detalhes da megaoperação necessária.
O governador Omar Aziz teve que gerenciar um processo de aquisição de mais de 900 viaturas, cada uma delas com câmeras espalhadas por todos os lados, capazes de visualizar tanto os arredores quanto seu interior, ou seja, tanto a atividade do cidadão quanto a do policial. O governador se valeu de sua experiência como ex-secretário estadual de Segurança para tal gerenciamento.
Nesse meio tempo ocorreu um concurso público para contratação de 2,5 mil policiais militares e o respectivo treinamento de todos eles. Aí há quem lamente o fato de o Ronda no Bairro estar iniciando somente na Zona Norte. Ora, além de haver uma convergência geográfica dessa área com a Zona Leste, o processo é tão dinâmico que outros 2,5 mil passarão por novo concurso e habilitação em academia, até que se complete o maior efetivo já contratado num mesmo mandato governamental. A maioria vai servir ao programa.
Até o fim deste semestre mais duas zonas serão atingidas e até o fim do ano todo o programa estará nas ruas.
É assim que, neste primeiro momento, o tenente-coronel Amadeu Soares, coordenador do Ronda no Bairro, terá uma viatura com pelo menos três policiais, mais duas duplas de motos, a cada três quilômetros da Zona Norte. São carros embarcados com o que há de mais moderno em tecnologia de segurança. Todos os moradores da área onde essa turma vai monitorar receberão o número do telefone celular de seu comandante. A ideia é que todos os ocupantes do veículo sejam conhecidos pelos nomes, não abandonem o perímetro dia e noite e criem vínculos da chamada polícia comunitária.
Há vários princípios filosóficos novos sendo aplicados nesse programa. O maior de todos é, sem dúvida, a busca do envolvimento da população na segurança do território onde mora a família, eliminando as persistentes “zonas de sombra” onde bandidos perigosos tentam estabelecer guetos de tráfico ou de refúgio de ladrões.
O Ronda no Bairro é um programa gerido pela administração pública e com recursos públicos. Daí a necessidade de todos os cuidados tomados até aqui. Fosse tudo feito na marra, às pressas, como muitos queriam, e aumentaria em grande escala o risco de o cumprimento das leis ficar à margem.
Espera-se que, daqui para a frente, haja um divisor de águas entre a impunidade e a punição imediata, a ausência da polícia e a presença ostensiva da mesma, a insegurança e a segurança.
Vai funcionar? O melhor do programa, a meu ver, é que dependerá da própria população, da ajuda que vier a oferecer aos policiais, o melhor ou pior desempenho de toda essa mudança na segurança pública.
Os equipamentos são os mais modernos. A gerência tem enorme responsabilidade, uma vez que esses milhares de homens estarão sendo monitorados 24 horas por dia.
Aqui, aliás, cabe um parênteses. A população desconfia, e o filme “Tropa de Elite” mostrou muito bem isso, que haja maus policiais infiltrados entre a maioria de boa índole. São os irresponsáveis que recebem o chamado “arrego”, a propina dos bandidos. Com o Ronda no Bairro, esse policial não vai mais poder utilizar a viatura para ir à boca de fumo ou mesmo achacar o preso no trajeto entre a prisão e a delegacia. Esse profissional pervertido será flagrado, preso e servirá de exemplo para os demais de que as coisas mudaram. É por isso que toda viatura tem áudio e vídeo transmitido, em tempo real, para a sala do comando.
O Ronda no Bairro veio para ficar. A população começou a entender isso e participa cada vez mais. O bem está, finalmente, armado para combater o mal.
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* Marcos Rotta é deputado estadual, vice-presidente da Assembléia Legislativa e presidente da Com...