17/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Reflexões sobre a pena de morte

Publicado em 25 de fevereiro, 2012

A pena de morte sempre foi um tema extremamente polêmico e alvo de amplos e apaixonados debates, pois, tanto os seus defensores quanto os seus oponentes recorrem a muitas alegações para defendê-la ou rechaçá-la.

Do ponto de vista bíblico e teológico, muitos de forma equivocada defendem que Jesus pregou somente o amor e aboliu a pena de morte, pois, consideram-no um grande pacifista, por isso, tirando textos fora de seus contextos, citam-nos sem levar em conta uma série de fatores que, se considerados, evidenciariam justamente o contrário.

Um exemplo disso são os textos do Sermão do Monte, onde Jesus está se dirigindo aos seus discípulos, revelando-lhes a ética do Reino de Deus, logo, são diretrizes morais e exigências divinas para aqueles que são de fato, e não apenas nominalmente, cristãos e genuínos seguidores de Jesus Cristo.

No entanto, lendo o texto de Romanos 13 temos claramente diretrizes sobre o papel do Estado, a quem Deus outorgou a espada para fazer justiça, inclusive para aplicar a pena de morte. Logo, o que, de acordo com o ensino bíblico, Deus exige dos seus seguidores (sua igreja), e o que ele exige do Estado, são requerimentos diferentes. Assim sendo, não cabe ao cristão vingar-se e querer fazer justiça com suas mãos, mas, perdoar, amar e fazer o bem, inclusive a quem lhe fez mal. Mas, ao Estado cabe usar a espada para punir os malfeitores, manter a ordem e fazer justiça.

Se a distinção de papéis e funções não for feita, o resultado será trágico, pois, cada instituição tem sua esfera de atuação própria e, tenha consciência disso ou não, todos prestarão contas com Deus se cumpriram ou não seus papéis.

Portanto, dizer que os cristãos são pacifistas absolutos é incorrer em erro grave, pois, os cristãos poderão sim participar das instituições que têm o dever e o direito de fazer justiça. Segundo o ensino bíblico, o propósito da pena é punir o infrator de forma justa, isto é, a pena deverá ser de acordo com a proporção do delito. Segundo o livro de Gênesis 9, Deus revelou a Noé que a única pena que de fato faz justiça pelo sangue derramado é o derramamento do sangue do assassino. O texto deixa claro que o agente de punição divino será o próprio homem e no Novo Testamento esse papel é atribuído ao Estado. Logo, existe ampla base bíblica para se defender a pena de morte para assassinos.

Mas, os que são contrários a pena de morte alegam que somente os pobres serão executados e utilizam a pobreza, como fazem com a seca no nordeste, e etc., para defender seus pontos de vistas. Não se importam se eles passarão o resto da vida na cadeia ou em trabalhos forçados, mas, se importam se forem justamente executados. Interessante também é o fato de que muitos que são radicalmente contra a pena de morte são a favor do aborto e sua legalização, fingindo que a pena de morte não existe e não é praticada, quando milhares de crianças são assassinadas no ventre, com grande lucro para os executores. Assim sendo, quem pratica o aborto, quer como mandante, quer como executor, pratica pena de morte injustamente.

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Autor
Jorge Max

Jorge Max é pastor da Igreja Batista Constantinópolis, em Educandos.

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