O ano é 1976. O palco é a Avenida Eduardo Ribeiro – a primeira grande Avenida de Manaus, construída sobre um Igarapé (Igarapé do Espírito Santo, no final do Séc. XIX), com cerca de 700 metros de extensão por quase trinta, de largura.
A Agremiação Unidos da Selva era fortíssima para os padrões da época e desfilava com mais de 300 brincantes sob seu pavilhão verde e branco. Só que em 1º de dezembro de 1975 surgia no Bairro da Praça 14 (Zona Sul), na rua Jonathas Pedrosa (na casa da saudosa “Tia Lindoca” ou Raimunda Gonçalves) a escola de samba Vitória Régia, que desde o seu início sempre foi detentora da maior torcida de Manaus, engalanada nas suas cores homônimas da Estação 1ª de Mangueira, do Rio – o verde e o rosa.
A coincidência é tamanha que, em frente à atual Quadra da Escola (construída em 1988), há uma enorme mangueira. À época, seus fundadores almejavam uma Escola de samba de “verdade”, sem desmerecer, é claro, às outras. Mas, no rio que banha Manaus (rio Negro) eis que também surge, pela mesma época, a escola de samba Em Cima da Hora – a azul e branco–, que não deixa nada a desejar à nova escola da Praça 14.
Fundada em sua maioria por militares que serviam na Marinha Brasileira – em um navio – patrulha denominado Raposo Tavares, a Em Cima da Hora surgiu como bloco de enredo em 1975 (foi fundada em 05 de fevereiro desse ano) e desfilava nessa categoria em 1976. Estreava como Escola de Samba, no ano seguinte – 1977.
Anos depois, surge a Uirapuru, do bairro de Educandos – também era um bloco –, e a Unidos de São Jorge, do bairro do mesmo nome – situado à Zona Oeste de Manaus –, esta, com reminiscências do pessoal da antiga Unidos da Selva (que foi extinta em 1976, quando ainda foi campeã nesse ano).
A primeira grande Escola de Manaus dessa nova era, a Unidos da Selva, foi fundada em dezembro de 1970, por militares do CIGS, – Centro de Instrução de Guerra de Selva. Jaílton Sodré, cronometrista há 30 anos – hoje da AGEESMA – Associação das Escolas de Samba do Grupo Especial de Manaus–, participou dos desfiles da “Escola dos militares”.
Depois “estoura” a Unidos da Raiz (do bairro do mesmo nome), situado à Zona Sul. A Unidos de São Francisco, a Escola da Cachoeirinha e a do Boulevard, não mais desfilavam. Quem também entrava na “briga” era a Império Amazônico.
As próximas disputas prometiam ser acirradas!
Nos anos 70 ainda havia espaço para a Unidos da Compensa, de vida efêmera, e para a Batucada do Morro. Foi, e é preciso haver, a saudosa rivalidade entre as agremiações, a fim de se manter viva a essência do jogo, pois em síntese, o desfile das escolas é uma esperada e acirrada competição – um prélio – dos mais dinâmicos, mesmo sendo uma teórica “brincadeira”.
Isso tudo e, como sempre foi, salutar à sobrevivência do carnaval da cidade.
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* Daniel Sales é pesquisador cultural.