16/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Não é só a Embrapa que tem trabalho escravo

Publicado em 07 de fevereiro, 2012

O recente episódio envolvendo trabalhadores do campo experimental da Embrapa, denominado de Distrito Agropecuário da Suframa, com grave denúncia de violação dos direitos humanos e com a comprovação da existência de trabalho análogo ou escravo, traz à tona um outro problema enfrentado nas linhas de montagem de algumas fábricas do Distrito Industrial do Amazonas.

Semelhança com os trabalhadores da Embrapa, que são submetidos a um conjunto de fatores, como: falta de registro profissional, não ter direito a transporte, ter carga de trabalho exaustiva, não receber treinamento adequado para assumir determinada função, além de serem submetidos às mais degradantes formas de violação dos direitos dos trabalhadores, fez com que a Central Única dos Trabalhadores do Amazonas (CUT-AM), via Sindicato dos Metalúrgicos, intensificasse, também, a apuração de denúncias de jornadas excessivas e irregularidades que agridem os direitos fundamentais da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), nas categorias dos industriários do Amazonas.

Buscando a todo custo maquiar a gravidade do problema e desqualificar nossa luta sindical, algumas empresas do DI ainda mantêm longas jornadas de trabalho, principalmente as chinesas, que, por motivo culturais ou por má fé, imprimem jornadas de até 16 horas, privando os trabalhadores dos bens essenciais, que são o convívio com a família, o lazer, o repouso entrejornada.

Os chineses ainda não se acostumaram às características do mercado de trabalho local, incluindo as leis Trabalhistas. Eles não entendem ou não querem saber sobre negociações, encargos trabalhistas e a existência de coisas mais importantes para os brasileiros do que o dinheiro. As férias, cesta básica, transportes, programas de saúde e benefícios sociais são alguns desses bens importantes para as categorias de trabalhadores do Estado.

As montadoras chinesas estão se instalando no Brasil em uma velocidade comparada ao seu desenvolvimento de segunda maior economia do mundo. Parte desse crescimento se deve à força de trabalho mal paga, a quase inexistência de proteções de trabalho de sindicatos sem poder de negociação coletiva. Esse é o modelo trabalhista, que as empresas chinesas estão tentando exportar para nós, mas por força das nossas leis e a forte atuação dos sindicatos, eles estão encontrando dificuldade para manter o sistema.

Nós, no entanto, podemos frustrar o desenvolvimento de negócios dos chineses que não respeitem a nossa cultura, as nossas leis trabalhistas, as nossas conquistas e benefícios. Podemos fazer opção por produtos similares de empresas, de outros continentes, integrados à nossa cultura, às nossas convenções coletivas.

Podemos divulgar negativamente os produtos que são fabricados à base do sacrifício e sangue dos trabalhadores do Amazonas. Vamos dar o mesmo exemplo dado à empresa Nike e Adidas, que já foi acusada de forçar os seus funcionários a trabalharem até 15 horas diárias, sem remuneração extra, para cumprir metas de produção. Por esse motivo, quase perde um contrato milionário com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

O Estado pode, em função disso, retirar incentivos, benefícios, ser mais exigente na aprovação de projetos. A luta é de todos, sindicato, trabalhadores, movimentos sociais.

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Autor
Valdemir Santana

* Valdemir Santana é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas.

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