A região de fronteira próxima a Benjamin Constant e Atalaia do Norte, no Vale do Javari, no Alto Solimões, está seriamente ameaçada de se tornar uma grande produtora internacional da folha de coca. “Naquela região foi desenvolvida uma variedade adaptada ao clima quente-úmido e já existe grande plantação encostada na fronteira brasileira”, revelou hoje, em entrevista à rádio CBN Manaus, o general Eduardo Dias da Costa Villas Boas, comandante militar da Amazônia.
O general revelou que os traficantes estão associados à seita religiosa peruana “israelitas”, que usa o dinheiro resultante da venda para preparar o “dia do juízo final”, e chegaram a áreas indígenas que atravessam fronteiras, chegando ao Brasil. “Nossa preocupação é que nosso País mude de corredor de passagem e consumidor, com o plantio da coca passando para o nosso lado, porque a partir daí passaremos a ser produtores, o que mudaria completamente o status e provocaria um adensamento de todos os problemas”, disse Villas Boas.
O comandante lembrou que o CMA é o maior comando militar do planeta, abrangendo todos os Estados da Amazônia, com 3,5 milhões de quilômetros quadrados. “A fronteira dos EUA com o México são 3 mil quilômetros e eles não conseguem vigiá-la, imagine nós, que temos 11 mil quilômetros”, disse.
A vigilância da fronteira se transformou na principal atividade do Exército na Região. “Tudo passa pela fronteira, drogas, armas, contrabando, pirataria, biopirataria. Todo nosso dispositivo está de frente, olhando a fronteira. O Exército está desenvolvendo um grande projeto, com muita tecnologia incorporada, que é o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteira (Sisfrom), que vai se constituir de uma rede de sensores, com radares, veículos aéreos não tripulados, para ampliar nossa capacidade de vigilância”, disse.
Resistência
O Exército Brasileiro está pronto para resistir, caso a Amazônia seja invadida por um país estrangeiro, mesmo que este tenha maior potencial bélico-tecnológico, usando a chamada “estratégia da resistência”, parecida com a utilizada pelo exército vietnamita na guerra com os EUA. “Essa é uma das nossas estratégias, mas a principal é a nossa presença junto às comunidades ribeirinhas mais distantes dos centros populacionais”, explicou o comandante.
A atuação do Exército está dividida em vida, voltada para dentro da unidade; combate, que é a parte militar propriamente dita, com treinamento, planos, vigilância da fronteira, reconhecimento, reconstituição de marcos de fronteira; e trabalho, em prol da população, nas comunidades mais distantes. “Há lugares onde o Exército, na maioria das vezes, é a única presença do Estado. Fazemos aí oficinas, instalações, inclusão digital, tudo voltado para o povo”, revelou o general.
Com 11 mil homens, aproximadamente, projetando atingir, em 2030, 50 mil homens, o Comando Militar da Amazônia (CMA) vai montar mais uma brigada no Acre, onde há uma grande expectativa com a energia excedente a ser gerada pelas hidrelétricas de Jirau e Belo Monte, no rio Madeira, além da inauguração da Rodovia do Pacífico, prevista para o final de 2012. “Isso coloca a Ásia dentro do Brasil. Você já pensou, a China dentro do Brasil? Conversei com o governador do Acre e ele me disse que há um grande número de indústrias querendo se instalar lá, por conta da estrutura de energia e dessa nova estrada”, disse o general.
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