“Meu pai, perto dos 80 anos, não deixa mais nada passar em branco. Parece que sai catando alguém que faça alguma coisa errada, para brigar, quando sai de casa. Por que você não o leva pra trabalhar contigo?”. Ouvi essa frase, neste final de ano, de um amigo, durante uma confraternização. Nunca me senti tão lisonjeado.
O ser humano, homem ou mulher, faz muitas concessões ao longo da vida. Vai passando ao largo de certos acontecimentos, para evitar confusões. É que, no fundo, todos somos pacatos e gostamos de estar sossegados, com os nossos, num ambiente de fraternidade e interesses comuns.
A vida vai passando, a experiência chegando e, num determinado momento, é comum, como se diz popularmente, chutar o pau da barraca.
A fila do banco está grande e não anda? “Ô, seu gerente, não vai colocar mais gente pra atender? Vou já chamar o Procon pra fazer cumprir a Lei das Filas”.
O motorista do coletivo não deixou entrar pela frente, apesar da exibição da Carteira de Idoso? Anote a placa, pesquise ou peça para alguém pesquisar na Internet e reclame ruidosamente.
Fez retorno no meio da ponte? Faça uma foto no celular e transmita os dados do veículo ao Detran.
Está pisando na grama e destruindo o canteiro da Ponta Negra? Reclame. Diga que aquilo só está bonito porque alguém plantou e se a gente não conservar vai ficar feio de novo. Chame o guarda municipal ou o PM.
Você já pensou se todo mundo exigisse os seus direitos desta forma? Desde 1996, quando criamos o programa Exija Seus Direitos, na televisão, temos procurado não apenas cobrar as autoridades, mas principalmente incentivar nosso público para que faça o mesmo.
Não é um elogio que, após todos esses anos, alguém entenda nosso trabalho como uma referência de experiência, persistência e combate à falta de respeito com o consumidor?
Termina 2011. Poderia encerrar este artigo por aqui e considerar concluída a prestação de contas anual do meu mandato de deputado estadual. Afinal, sou o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa e nesse cargo expandimos a atuação da Casa, realizando mutirões nas praças e nos bairros, participando da luta no micro, nas gôndolas dos supermercados, e no macro, enfrentando as corporações da telefonia fixa e celular no Amazonas.
O ano, porém, teve mais que isso.
Tiramos o Caso Maksoud Plaza do zero e ouvimos de Henry Maksoud, em São Paulo, o compromisso de que concluirá a obra até a Copa de 2014. Levamos até lá o diretor do Departamento Financeiro e Recuperação de Projetos do Ministério da Integração Regional (MIR), Henrique Sampaio, que enviou técnicos ao local e deve emitir, no começo do ano que vem, um relatório conclusivo. Maksoud recebeu R$ 16,9 milhões da Sudam e terá que dar contas desse dinheiro ou abrir mão para um grupo holandês ou outro grupo, amazonense, ambos interessados em fazer a obra.
Sugerimos ao governador Omar Aziz a criação da Bolsa Reciclagem, para melhorar a qualidade dos funcionários estaduais, e da Carteira de Motorista grátis, para os carentes; denunciamos o enorme débito da Amazonas energia para com o Governo do Amazonas, deixando de repassar os 25% da conta de energia que o consumidor paga todos os meses; combatemos o reajuste proposto para o valor da energia; exigimos manutenção da BR-174 e asfaltamento da BR-319, que não podem ser mais abandonadas ainda, com a saída do senador Alfredo Nascimento da pasta; mostramos o absurdo da falta d’água em vários bairros de Manaus; firmamos fileira em defesa da Zona Franca de Manaus.
Em 2012 você pode nos ajudar a fazer muito mais. Feliz Ano Novo. E exija seus direitos.
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* Marcos Rotta é deputado estadual, vice-presidente da Assembléia Legislativa e presidente da Com...