As comunidades do entorno da invasão da Área de Proteção Ambiental (APA) do Tarumã, conhecida como Pampulha, invadida sábado (24/12), estão sob risco de contrair malária transmitida pelos invasores. Estes, por sua vez, estão em situação extremamente vulnerável. A conclusão é de um relatório de análise epidemiológica apresentado hoje pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).

A APA do Tarumã, tomada por invasões, se tornou um grande foco de malária que se espalha pela cidade
No entorno estão Parque Riachuelo, Campos Sales e Parque São Pedro/invasão da Carbrás, com mais de 30 mil famílias. “Todas essas comunidades são resultado de invasões e áreas de risco com histórico de alta transmissão da malária”, adverte o secretário municipal de Saúde, Francisco Deodato. A área tem uma enorme diversidade de criadouros do mosquito Anopheles Darlingi, transmissor da malária.
“São cerca de mil pessoas (na Pampulha) vivendo em condições precárias, numa área sem proteção, que propicia o contato com o mosquito transmissor da malária. Conforme o levantamento realizado, a maioria dessas pessoas é oriunda de outras áreas de risco, invasões localizadas no entorno. Isso significa que transportam o plasmodium da malária desses locais para a nova área de invasão e de lá para outros cantos da cidade. A falta de estrutura e a precariedade tornam o local um foco de transmissão da malária”, observa Deodato.
O relatório da Semsa foi encaminhado nesta terça-feira para a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmas), que já está monitorando o local. Deodato explica que o relatório é baseado em estudos realizados pelos técnicos do Departamento de Vigilância Epidemiológica e Ambiental do órgão, que mapearam, no local, os criadouros do mosquito transmissor da malária.
A Prefeitura de Manaus, segundo Deodato, está adotando medidas de controle na área e no entorno. Na segunda-feira (02/01), se os invasores ainda estiverem no local, a Semsa dará início à coleta de lâminas e tratamento dos pacientes que forem identificados com a doença, além de realizar o controle vetorial, com termonebulização (aplicação de inseticidas). O secretário alerta que os cuidados, entretanto, não são suficientes e não garantem a eliminação da transmissão, porque as famílias estão vivendo em situação propícia à doença. “A única solução efetiva é a retirada dessas pessoas. O histórico epidemiológico demonstra o risco que correm as localidades do entorno, todas sob efeito dos mesmos fatores condicionantes e determinantes para a transmissão da malária”.