Um relógio Rolex, no valor de R$ 50 mil, e um cordão de ouro, que estavam sendo usados pelo empresário Wellington Lins, no momento em que foi sequestrado, foram usados durante algumas horas pelo sequestrador Amarildo dos Santos Gomes, o “Tico”, nas ruas do bairro Francisca Mendes, onde a maioria dos presos por esse crime mora. “Eu queria ficar com o cordão, que achei bonito, e mandar derreter o relógio para tirar o ouro”, disse, durante interrogatório.
O Rolex e o cordão ficaram para Tico na partilha do sequestro. Ele foi um dos responsáveis por pegar o dinheiro, na estrada do aeroporto, onde a esposa de Wellington, Maria do Carmo Lins, o deixou. Fascinado pelo relógio, um dos ícones de consumo dos endinheirados, e pelo cordão, o rapaz os colocou no pulso e pescoço e saiu com ambos. Quando avistou a polícia, percebendo que seria preso, tratou de entregá-lo a uma amiga que estava próxima.
O Rolex e o cordão foral totalmente esquecidos e em nenhum momento fizeram parte da investigação policial. Só quando tudo estava resolvido e Maria do Carmo Lins foi buscar o dinheiro resgatado – cerca de R$ 898 mil dos R$ 1 milhão pagos, contados até a última moeda –, a existência deles foi revelada. Tudo indica que, a essa altura, ou está derretido ou anda no braço de algum anônimo, sem a menor noção de seu valor.
Wellington Lins foi sequestrado dia 10/12, um sábado, às 15h, em sítio de propriedade da família, localizado na BR-174, e libertado na segunda-feira, às 20h30.
Só um roubo
A ideia inicial dos sequestradores, segundo revelado por uma fonte policial, era apenas capturar Wellington, levá-lo até sua casa e obrigá-lo a entregar o dinheiro guardado num cofre existente na casa. Feita a captura, porém, o menor MSQ, 17, empregado da faculdade Fametro, onde Wellington é diretor, e adotado pela esposa do sequestrado, ligou para os envolvidos e pediu que tomassem outro rumo porque a casa estava cheia de gente.
Foi dando voltas pela cidade, enquanto aguardavam uma luz para saber o que fazer, que o grupo decidiu enveredar pelo sequestro. Um deles tem um parente com sítio próximo ao local do cativeiro. Daí para a frente, os fatos são amplamente conhecidos.
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