O Governo do Amazonas está investindo em toda a cadeia produtiva da juta e malva, desde o subsídio para garantir preço de venda aos produtores, distribuição de sementes para o plantio, até o produto final. A informação foi dada nesta quarta-feira (09.11) pelo governador Omar Aziz, durante a inauguração da Brasjuta, indústria de beneficiamento que entra em operação para dar um novo impulso à produção de juta e malva no Estado do Amazonas.

O investimento na Brasjuta totaliza R$ 30 milhões, dos quais R$ 13,5 milhões são recursos provenientes da Afeam
A Brasjuta é resultado de parceria público-privada envolvendo a Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) e o grupo Mário Guerreiro (Grupo MG). A empresa está produzindo sacaria para embalar o café exportado do Brasil para a Europa. Somente na fábrica, no Distrito Industrial, estão sendo gerados neste primeiro momento 208 empregos diretos, com a perspectiva de dobrar no ápice da produção. Sem contar com as cerca de 2.600 famílias de produtores que cultivam as fibras no Estado.
A Brasjuta é a segunda indústria de sacaria do Amazonas, mas a primeira instalada no PIM. Uma segunda fábrica está implantada em Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus) e também utiliza matéria-prima genuinamente amazonense para a produção. “Esse é o futuro. Com a proibição da Europa em usar embalagens sintéticas, temos mercado para o produto”, disse o governador Omar Aziz.
Segundo ele, o próximo passo do Governo do Estado será a instalação de uma fábrica de sementes para impulsionar a produção. Hoje, as sementes distribuídas aos produtores vêm do Pará. “Nosso empenho é aumentar a produção. O governo já subsidia para garantir um preço bom ao extrativista, dá a semente, mas é preciso dar um up grade maior, para que a gente possa produzir cada vez mais”.
O Amazonas é o maior produtor de fibra do Brasil, com cerca de 12 mil toneladas/ano. Somente a Brasjuta está consumindo cerca de 6 mil toneladas. A empresa planeja aumentar e diversificar a produção, hoje limitada à sacaria e telas e, em um ano, calcula que necessitará de pelo menos 15 mil toneladas. “Só a produção do Amazonas não dá para abastecer o nosso mercado com matéria-prima suficiente”, disse o governador, ao lembrar que o Amazonas já chegou a produzir 90 mil toneladas/ano.
Segundo Omar Aziz, a retomada da produção de juta e malva faz parte da política do seu governo de buscar alternativas econômicas à Zona Franca de Manaus. Nesse contexto, o Governo do Estado está incentivando a produção de borracha, de castanha da Amazônia e a cadeia produtiva do pescado. São produtos que garantem geração de emprego para o homem do interior, através de uma cadeia produtiva completa. Um exemplo é a instalação recente de uma usina de beneficiamento de borracha em Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus). A usina está produzindo matéria-prima para uma fábrica de pneus de motocicleta e bicicleta, que deverá inaugurar em janeiro do ano que vem no PIM.
Investimento – O investimento na Brasjuta totaliza R$ 30 milhões, dos quais R$ 13,5 milhões são recursos provenientes da Afeam e os outros R$ 16,5 milhões do grupo MG. A Afeam é sócia do negócio com 45% das ações da empresa. “É uma parceria público-privada, a primeira envolvendo uma agência de fomento e um grupo empresarial no Estado. Vamos participar do gerenciamento da empresa com um representante da Afeam nomeado para participar da gestão. Como é uma sociedade, parte dos lucros da empresa será revertido para a Afeam, para reforçar as ações de fomento”, explicou o diretor da Agência, Pedro Falabella.
A Brasjuta consome, por mês, 500 toneladas de fibras, que devem ser ampliadas com o aumento gradativo da produção nos próximos meses. Até dezembro, a indústria deverá dobrar o número de empregos diretos, segundo Falabella. A expectativa com a revitalização da produção é reduzir as importações brasileiras do produto da Índia.
A produção é abastecida com o cultivo de juta e malva no interior do Estado. De acordo com a Afeam, a produção de maior expressão dessas fibras é nos municípios de Iranduba, Manacapuru, Beruri, Anamã, Codajás, Coari, Manaquiri, Manicoré, Caapiranga, Careiro da Várzea, Parintins e Nhamundá.
Na Brasjuta, a malva e a juta são processadas industrialmente para produção de telas e sacarias. Esse mesmo trabalho é feito na empresa Amazon Juta, que funciona desde 2003 em Manacapuru e que teve financiamento de R$ 3 milhões da Afeam para entrar em operação. Atualmente, a unidade emprega 300 pessoas diretamente.
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