A primeira etapa da obra de revitalização da Ponta Negra estará concluída no dia 31 de dezembro, servindo de palco para o Réveillon, trazendo inovações surpreendentes. Uma delas, comprovada pelo blog, são as calçadas no estilo Copacabana, com uma paginação especial em quatro cores, numa espécie de “revide”, depois que a praia carioca imitou o calçadão da praça São Sebastião. Só a perenização da praia, que depende do ciclo das águas do rio Negro, ficará para março/2012 e mesmo assim já apresenta sinais claros de sucesso do sistema usado nessa tarefa.
O blog visitou o canteiro de obras. Viu, por exemplo, que a depressão existente atrás do palco do anfiteatro foi totalmente coberta pela areia. “O material básico foi trazido do leito do rio Solimões e estamos na fase do acabamento, com areia branca, do rio Negro”, explica o empresário Jorge Soto Mayor Fernandes Filho, da Mosaico Engenharia, responsável pela obra.
Calçadão
O calçadão está sendo construído com 1,4 mil toneladas de pedra portuguesa, trazida de Sete Lagoas (MG), assentada sobre um contrapiso de concreto. “O escoamento da água vai se dar pelos canteiros. A calçada terá caimento para que a drenagem seja imediata e eficiente, conduzindo para pontos de captação estrategicamente instalados”, explica Soto Mayor.

Pedra portuguesa foi trazida de Sete Lagoas (MG). Note que as árvores mais antigas foram preservadas
Já é possível notar, na área próxima ao anfiteatro, onde a obra está mais avançada, os traços do calçadão de Copacabana. São 17,8 mil metros quadrados de pedra assentada, num trabalho de acabamento feito por calceteiros (calçadeiros) trazidos de outros Estados, somados à mão de obra local, treinada para resgatar a cultura de bons calceteiros que possuimos no nosso Estado. “O Amazonas já teve muitos desses especialistas, mas eles foram se perdendo com o tempo”, conta o empresário.

Na área onde a obra está mais adiantada, atrás do anfiteatro, é possível notar as primeiras semelhanças com o calçadão de Copacabana
As árvores mais antigas foram preservadas e, para isso, o calçadão teve que sofrer desvios, disfarçados pelo meio-fio. O trabalho de ajardinamento, com plantio de árvores adultas, também está adiantado.
Chafariz
Um chafariz, que vai ser localizado no meio da primeira etapa, próximo ao local onde antes ficava uma banca de tacacá, é o xodó de trabalhadores e empresários envolvidos com a obra. Todos tentam guardar segredo, mas a curiosidade do blog conseguiu descobrir que se trata de uma espécie de “Bellaginho”, numa referência ao famoso hotel de Las Vegas, que apresenta a cada meia hora o Show das Águas – chafarizes que “dançam” ao som de diversas músicas.

Para ficar uma pontinha de surpresa, o blog mostra só uma parte do chafariz e a passarela, sobre a qual passarão jatos d'água por onde todos poderão passar sem se molhar
O “Bellaginho” está sendo feito por um grupo especialmente contratado para esse fim e também vai apresentar espetáculos de água dançando em ritmos musicais. O espectador poderá ver o jorro d’água de baixo, passando por uma passarela também pronta. Mas tudo isso é segredo. Não vá espalhar por aí.
Praia
Um dos maiores desafios da Mosaico é a perenização da praia da Ponta Negra, o principal e democrático ponto de lazer urbano do manauara. “Superando as dificuldades, incluisive, todas as licenças ambientais pertinentes, conseguimos com uma espécie de tecnologia cabocla lançar os primeiros 220 mil metros cúbicos de areia, no fim do ano passado, que resistiram incólumes à enchente deste ano”, afirma Jorge Soto Mayor.
Há um segredo nisso. O local onde está a praia é o que os engenheiros chamam de “bacia de sedimentação”, fora do canal principal do rio e sem a mesma correnteza. “A prainha (atrás das barracas de coco), todos esses anos após a construção do muro de gabião do calçadão que está sendo substituído, continua lá, no mesmo lugar, sem mudar nada”, lembra ele.
A alternativa utilizada pela Mosaico é chamada de “engenharia cabocla”, em oposição à de Dubai, nos Emirados Árabes, onde imensas dragas cavam a areia no fundo do mar e a jogam nos pontos de aterros. “Só o aluguel de uma draga dessas custaria mais que a obra inteira ”, explica Soto Mayor.
A areia não cobriu apenas o buraco que havia atrás do palco. Todo o piso está praticamente colocado. “A cota mais baixa do rio Negro, na vazante recorde, foi de 13,63 metros (em 2009) e a mais alta foi de 29,71 (em 2009). A cota da praia ficará em 30,50 metros, o que permitirá que sempre fiquem pelo menos 40 metros de praia, para o lazer da população”, explicou o empresário.
Foram aplicados, até agora, cerca de 420 mil metros cúbicos de areia,dos quase 1,1 milhão de metros cúbicos previstos. A operação está sendo feita com sete balsas jogando, cada uma, 1,5 mil metros cúbicos por dia. A ideia do prefeito Amazonino Mendes é que as pessoas caminhem margeando a praia e tenham acesso a ela sem maiores problemas. “Há uma passagem de nível, ao lado do antigo restaurante da Charufe Nasser, que está ganhando passarela, sob a qual os cadeirantes terão acesso ao calçadão da praia, que vai margear o rio”, revela Soto Mayor.

O Restaurante da Charufe não existe mais. A rampa de acesso à praia ganhou uma passarela e será nivelada para que cadeirantes cheguem à praia sem problemas
Quase não dá para lembrar que havia na Ponta Negra um paredão de gabião, separando os manauaras da faixa de areia e do rio. Parece que desta vez, finalmente, Manaus está virando de frente para o Negro.