Um componente alimentar formado por três frutos amazônicos, cujos nomes não foram revelados por questão de patente, pode colaborar para a redução de peso na adolescência. A pesquisa foi feita em uma escola de Manaus, com a orientação de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), como parte do curso de pós-graduação multi-institucional em Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e recebeu o título de “Produtos Amazônicos bioativos associados às práticas de atividades físicas”.
A base do trabalho é a informação de nutricionistas, segundo os quais, a escola tem papel fundamental na alimentação das crianças e adolescentes, pois é lá que eles passam grande parte do tempo, sendo o local onde os problemas de obesidade se manifestam com mais gravidade, principalmente na adolescência. A estudante de doutorado Myrian Abecassis Faber, partindo dessa informação e orientada pela pesquisadora do Inpa Lucia Yuyama, analisou como os estudantes estavam se alimentando e de que maneira a introdução de alimentos saudáveis, aliada à atividade física, pode colaborar no combate a obesidade na adolescência.
Yuyama afirma que o mix de frutas melhora a qualidade da alimentação. “Nós utilizamos três frutos típicos da região amazônica com alto poder nutricional. O mix contém, além dos nutrientes, mais alguns compostos que são benéficos à saúde e tem um impacto, por exemplo, na redução de colesterol”, declarou.
O experimento se deu entre 10 de maio a 18 de julho de 2010, com 45 alunos de uma escola pública que receberam e tomaram o néctar, entre os quais 33,5 % (15 pessoas) denominadas como Grupo 1 perderam peso e frequentaram todas as sessões de educação física, além de seguirem as orientações nutricionais, enquanto outros 33,5% (15 pessoas) denominadas Grupo 2, receberam e tomaram o néctar, participaram das atividades físicas, mas não seguiram as orientações nutricionais. Estes perderam peso, porém menos que os indivíduos do Grupo 1.
Myrian Abecassis destaca a importância do papel na atividade física como complemento da alimentação para uma vida mais saudável. “O corpo humano não foi feito para ficar parado. Se a pessoa não se movimenta há um desequilíbrio entre o que ele come com aquilo que ele precisa e isso forma um depósito de gordura, é por isso que é importante a atividade física”, afirma. A pesquisadora insiste em que as escolas devem oferecer prática esportiva. “A atividade física vem diminuindo gradativamente e hoje praticamente não existe nas escolas. Tudo isso aliado ao videogame, as facilidades da vida moderna e a má alimentação, proporciona o aumento do sobrepeso e obesidade”, explica.
Para os especialistas, a obesidade virou questão de saúde pública e que deve ser tratado com seriedade pelos órgãos públicos e pela sociedade. A cada refeição devemos mesmo pensar bem antes de comer.
Saúde pública
Uma pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizada pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) revelou que metade dos brasileiros está acima do peso.
No sexo masculino, a situação é mais comum a partir dos 35 anos, mas chega a 59,6% em homens entre 55 e 64 anos. Na população feminina, o índice mais que dobra na faixa etária de 45 a 54 anos (52,9%), em relação à faixa de 18 a 24 anos (24,9%).
Os dados são referentes a um período de 2006 a 2010, sendo que os dados foram divulgados em abril de 2010.
* Com informações da assessoria de imprensa do Inpa.
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