Uma nova indústria de produção de receptores de TV a cabo e via satélite, a Phitronics Indústria e Comércio de Eletroeletrônicos e Informática, vai investir US$ 127 milhões e gerar 417 novos empregos em Manaus. A Neotec Indústria e Comércio de Pneus, focada em bicicletas e motocicletas, promete investir US$ 58 milhões e gerar 33 novos empregos, reforçando a cadeia produtiva da borracha no Amazonas. São dois dos 13 projetos de implantação e 14 de atualização, ampliação e diversificação aprovados hoje, durante a 252ª reunião ordinária do Conselho de Administração da Superintendência da Suframa (CAS).
Juntos, os projetos somam investimentos de US$ 480.6 milhões e prometem gerar 2.432 novos postos de trabalho no Polo Industrial de Manaus (PIM). Essas novas vagas, porém, não chegam de imediato. O compromisso das empresas é oferecê-las ao longo dos próximos três anos, período de implantação dos projetos.

Flávia Grosso, ministro interino Alessandro Teixeira, secretário estadual de Fazenda, Isper Abrahim, e secretário municipal de Economia e Finanças, Alfredo Paes
A 252ª reunião do CAS foi presidida pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) interino, Alessandro Teixeira, e contou com a superintendente da Suframa, Flávia Grosso, de conselheiros dos ministérios integrantes e de representantes das classes empresarial, política e trabalhadora da região.
Crescimento
A Dafra da Amazônia foi autorizada a fabricar bicicletas elétricas. A Pool Engenharia Serviços e Comércio a produzir postes de poliéster reforçados com fibras de vidro. Alessandro Teixeira, empolgado, disse que o Polo Industrial de Manaus (PIM) deve continuar crescendo em ritmo sustentável, a despeito da desaceleração em diversos países por conta da crise mundial. “Tivemos vários segmentos no PIM crescendo acima de 30% no primeiro semestre e o polo vai continuar se desenvolvendo, gerando emprego e renda para a região. A Zona Franca é um dínamo da economia brasileira”, disse.
Flávia Grosso afirmou que os US$ 19.7 bilhões faturados pelo PIM no primeiro semestre de 2011 superaram as projeções iniciais da autarquia e que tudo indica que o polo deverá ultrapassar um faturamento de US$ 40 bilhões e gerar mais de 120 mil empregos ao final deste ano. “Normalmente, o faturamento do polo aumenta no segundo semestre. Então estamos confiantes de que chegaremos ao final de 2011 com a conquista de novos recordes de faturamento e de geração de empregos”, complementou a dirigente.
Debates
A necessidade de mecanismos de proteção comercial à indústria regional e o descontingenciamento dos recursos próprios da Suframa geraram um clima de debate na reunião. Diversos conselheiros se manifestaram. O representante das classes trabalhadoras, Antônio Tavares, disse que o contingenciamento é um problema que tem afetado o desenvolvimento da região e trazido insegurança ao modelo.
O representante do prefeito Amazonino Mendes, secretário municipal de Finanças Alfredo Paes, disse que contingenciamento de orçamento é poupança de despesas, mas a Suframa gera receitas e deveria ter tratamento diferenciado. “Os recursos (da Suframa) vão para o Tesouro e contribuem com o equilíbrio fiscal. O entendimento é que, como a autarquia gera receitas, ela teria que ter um tratamento diferenciado no seu orçamento”, afirmou.
“Os recursos da Zona Franca vão aumentar e isso é um comprometimento que o Governo tem no sentido de garantir o desenvolvimento do polo e da região. Tenho certeza que o Estado do Amazonas nunca cresceu tanto e nunca gerou tanto emprego quanto nos últimos anos. A atual gestão do Governo Federal tem se mostrado comprometida seriamente com a região”, disse o ministro interino do MDIC, à guisa de justificativa.
Juta e malva
O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Acre (Fecomércio/AC) e conselheiro representante das classes produtoras, Leandro Pinto, solicitou medidas emergenciais de proteção aos produtores de sacarias de juta e malva na região. Esse segmento, segundo ele, oferece hoje alternativas de emprego e renda para mais de 20 mil famílias ribeirinhas somente no Amazonas e estaria sofrendo sérias ameaças com a concorrência desleal de produtos similares importados de países asiáticos.
O ministro interino do MDIC, Alessandro Teixeira, informou que foi realizada, quarta-feira, uma reunião no ministério para tratar do assunto e que a meta é encontrar uma solução no menor tempo possível.
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