O mestre de kung-fu e boxe chinês Raimundo Nunes, 40, acaba de retornar de Aracaju (SE), onde enfrentou e nocauteou adversário 16 anos mais novo, Diferson Araújo, 24, e já anuncia novos combates. “Tenho um desafio de MMA (Mixed Martial Arts), no The Best 2, na Arena Amadeu Teixeira, na última sexta-feira de julho, e em novembro participo da 9ª Copa Brasil de Kung-Fu, em São Paulo”, revela.
A persistência de Nunes em se manter no topo das artes marciais, apesar da idade, se repete na busca de financiamento para competir. Ele faz tudo, há 26 anos, com a ajuda de poucos patrocinadores, amigos e pais de alunos. Em 2009, foi campeão da 7ª edição da Copa Brasil, mas, ano passado, por falta de patrocínio, não participou. Ao longo da carreira, o mestre foi campeão brasileiro em 1993, 1994 e 1995, integrou a seleção brasileira de kung-fu sanshou e foi campeão mundial na Inglaterra, em 2003.
Nos últimos desafios, Raimundo Nunes trava lutas casadas, contra um adversário determinado, em cinco rounds, com regulamento parecido ao do kickboxing. “Luta-se com luvas, protetor bucal e coquilha (protetor dos órgãos genitais). A decisão sobre o vencedor é tomada por quatro árbitros laterais e a vitória pode ser por pontos ou por nocaute. Ganha quem atacou mais ou acertou mais ou nocauteou”, explica.
Diferente do MMA, onde o lutador pode ser atacado no chão, no boxe chinês o adversário caiu levanta, uma vez que o atacante só tem dois segundos para tentar nocauteá-lo. “Vale a queda, mas não vale luta de solo”, acrescenta Nunes. Não vale cotovelada. Só joelhada, que é um dos principais meios de nocaute.
A premiação do atleta é uma bolsa, acertada previamente com a organização, com valor variado. No confronto com Diferson Araújo, em Aracaju, Nunes faturou apenas R$ 500. “É mais o prazer do esporte. Tem que gostar para fazer. Existem outras federações que têm premiação maior. O que conta é exibir o patrocinador, que ajuda no treinamento, nas passagens. Essa viagem foi a empresa que trabalho que patrocinou e sempre outras pessoas contribuem com a ajuda de custo”.
Nunes dá aulas de boxe chinês e os pais dos alunos ajudam também, quando ele segue numa competição. As empresas Cortez Câmbio, Fort Lub e Sportline Nell são seus patrocinadores mais fixos.
O combate de MMA, no final do mês, deve ser contra um atleta de jiu-jítsu, que ele conhece apenas como Adriano, que compete pela academia Chiquinho Top Team, que tem sede no bairro de São José. “Machuquei um pouco a perna no último combate, mas não é nada grave. Dependo só da assinatura de contrato para lutar”, conta.
Malhação
Raimundo Nunes revela que muita gente o procura como personal trainner, só para malhar. “Em uma hora de treino a gente chega a gastar 600 calorias. Quem mais gosta de fazer é mulher. Elas batem saco, chutam, fazem manopla (escudo que segura e chuta ou soca), pulam corda, participam da escola de combate e, com o decorrer do tempo, sem perceber, sentem a mudança no corpo, que começa a enrijecer a musculatura, perder peso, ficar definido. Entre quatro a seis meses, praticando três vezes por semana, mais uma boa alimentação, se consegue bons resultados”, afirma.
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