03/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Campeão de boxe chinês, aos 40 anos, Raimundo Nunes caça desafios

Publicado em 19 de julho, 2011

O mestre de kung-fu e boxe chinês Raimundo Nunes, 40, acaba de retornar de Aracaju (SE), onde enfrentou e nocauteou adversário 16 anos mais novo, Diferson Araújo, 24, e já anuncia novos combates. “Tenho um desafio de MMA (Mixed Martial Arts), no The Best 2, na Arena Amadeu Teixeira, na última sexta-feira de julho, e em novembro participo da 9ª Copa Brasil de Kung-Fu, em São Paulo”, revela.

A persistência de Nunes em se manter no topo das artes marciais, apesar da idade, se repete na busca de financiamento para competir. Ele faz tudo, há 26 anos, com a ajuda de poucos patrocinadores, amigos e pais de alunos. Em 2009, foi campeão da 7ª edição da Copa Brasil, mas, ano passado, por falta de patrocínio, não participou. Ao longo da carreira, o mestre foi campeão brasileiro em 1993, 1994 e 1995, integrou a seleção brasileira de kung-fu sanshou e foi campeão mundial na Inglaterra, em 2003.

Raimundo Nunes, ao centro, compete com sacrifícios há 26 anos

Nos últimos desafios, Raimundo Nunes trava lutas casadas, contra um adversário determinado, em cinco rounds, com regulamento parecido ao do kickboxing. “Luta-se com luvas, protetor bucal e coquilha (protetor dos órgãos genitais). A decisão sobre o vencedor é tomada por quatro árbitros laterais e a vitória pode ser por pontos ou por nocaute. Ganha quem atacou mais ou acertou mais ou nocauteou”, explica.

Diferente do MMA, onde o lutador pode ser atacado no chão, no boxe chinês o adversário caiu levanta, uma vez que o atacante só tem dois segundos para tentar nocauteá-lo. “Vale a queda, mas não vale luta de solo”, acrescenta Nunes. Não vale cotovelada. Só joelhada, que é um dos principais meios de nocaute.

A premiação do atleta é uma bolsa, acertada previamente com a organização, com valor variado. No confronto com Diferson Araújo, em Aracaju, Nunes faturou apenas R$ 500. “É mais o prazer do esporte. Tem que gostar para fazer. Existem outras federações que têm premiação maior. O que conta é exibir o patrocinador, que ajuda no treinamento, nas passagens. Essa viagem foi a empresa que trabalho que patrocinou e sempre outras pessoas contribuem com a ajuda de custo”.

Nunes dá aulas de boxe chinês e os pais dos alunos ajudam também, quando ele segue numa competição. As empresas Cortez Câmbio, Fort Lub e Sportline Nell são seus patrocinadores mais fixos.

O combate de MMA, no final do mês, deve ser contra um atleta de jiu-jítsu, que ele conhece apenas como Adriano, que compete pela academia Chiquinho Top Team, que tem sede no bairro de São José. “Machuquei um pouco a perna no último combate, mas não é nada grave. Dependo só da assinatura de contrato para lutar”, conta.

 

Malhação

Raimundo Nunes revela que muita gente o procura como personal trainner, só para malhar. “Em uma hora de treino a gente chega a gastar 600 calorias. Quem mais gosta de fazer é mulher. Elas batem saco, chutam, fazem manopla (escudo que segura e chuta ou soca), pulam corda, participam da escola de combate e, com o decorrer do tempo, sem perceber, sentem a mudança no corpo, que começa a enrijecer a musculatura, perder peso, ficar definido. Entre quatro a seis meses, praticando três vezes por semana, mais uma boa alimentação, se consegue bons resultados”, afirma.

 

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