07/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Banco Mundial e FAS unificam medição do desmatamento e facilitam venda de carbono

Publicado em 15 de julho, 2011

Os métodos de verificação do nível de emissões de carbono dos projetos que visam reduzir o desmatamento, praticados pela amazonense Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e pelo Fundo Bicarbon, do Banco Mundial (Bird), foram unificados na quinta-feira (14/07), após três anos de troca de informações técnicas entre Manaus e Washington. A nova metodologia que resulta do acordo pode ajudar a abrir o mercado de carbono para países e comunidades carentes na África, Ásia e América Latina, impulsionando a conservação das florestas e criando nova atividade econômica.

A conservação da Floresta Amazônica ganha uma aliada na unificação da metodologia

O método, aprovado pela Verified Carbon Standard (VCS), permite aos projetos calcularem emissões evitadas por desmatamento tanto na borda (“de fronteira”) de grandes áreas, como, por exemplo, em áreas agrícolas, quanto de maneira desigual (“mosaico”) dentro da floresta. O Carbon Decisions International (CDI) e o Instituto para Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), com o apoio financeiro da rede de hotéis Marriott International, também participaram.

As duas metodologias estavam sendo desenvolvidas separadamente pelo Bird e pela FAS e a unificação preenche um nicho importante, em comparação às demais metodologias de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD). “Unir a ‘metodologia de fronteira’ da FAS com a ‘metodologia de mosaico’ do Banco Mundial é crucial para permitir o desenvolvimento de projetos de REDD, tanto na Amazônia brasileira, como na África e na Indonésia”, afirma Virgílio Viana, superintendente-geral da FAS.

“Essa metodologia irá finalmente gerar um arranjo para recompensar atividades inovadoras que reduzem o desmatamento pelo mundo, enquanto promove a conservação de habitats naturais, criando empregos sustentáveis e contribuindo para o bem-estar de comunidades locais”, disse Ellysar Baroudy, do Fundo Biocarbon. “Um exemplo do impacto que essa metodologia terá em comunidades locais é o inovador mecanismo financeiro estabelecido no projeto Ankeniheny-Zahamena, em Madagascar, para financiar a proteção de 370 mil hectares de reservas naturais, através da venda de créditos de carbono pelo o Fundo BioCarbon”, acrescenta.

“Muitos desenvolvedores de projetos estavam esperando a aprovação dessa metodologia, e finalmente eles poderão finalizar sua documentação e registrar seus projetos no VCS”, diz Lucio Pedroni, da CDI. Gabriel Ribenboim, um dos técnicos da FAS que participaram do projeto, destaca que se trata de “um importante marco em um longo processo que começou como o projeto de REDD no (rio) Juma, em 2008, e servirá como exemplo para projetos similares na Amazônia”.

Desafio dos técnicos é mostrar que é mais negócio conservar que desmatar

Enquanto os VCS atualmente têm nove metodologias no escopo de Agricultura, Floresta e Uso do Solo (sigla AFOLU, em Inglês), incluindo três relacionadas a projetos de REDD, essa metodologia é mais amplamente aplicável. Será tema obrigatório, daqui para a frente, nas discussões de REDD+, nas negociações da Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudança do Clima, na próxima Conferência das Partes, a ser realizada em Durban, na África do Sul, em dezembro de 2011.

 

A FAS

A Fundação Amazonas Sustentável (FAS) é uma instituição sem fins lucrativos, criada a partir de uma parceria público-privada inovadora, instituída em 2008 pelo Governo do Estado do Amazonas e o Banco Bradesco. Conta ainda com a parceria da Coca-cola, BNDES, Samsumg, Hotéis Marriot, entre outros. Mais de 90% de seu orçamento é oriundo de doações e projetos de origem privada. A FAS tem um sólido modelo de governança e transparência, com auditorias semestrais da PwC e acompanhamento do Ministério Público Estadual. A FAS implementa o Programa Bolsa Floresta, o maior programa de pagamento por serviços ambientais do mundo, em parceria do o Governo do Estado do Amazonas, numa área de 10 milhões de hectares, envolvendo mais de 7,5 mil famílias. Mais informações pelo site: www.fas-amazonas.org.br.

 

PROJETO JUMA

O projeto para REDD da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Juma (RDS Juma) objetiva conter o desmatamento e suas respectivas emissões de gases de efeito estufa em uma área sujeita à grande pressão de uso da terra no Amazonas.

A rede de hotéis Marriott International  financia a implementação desse projeto com investimentos anuais de US$ 500 mil durante os quatro primeiros anos, desde 2008, combinando receitas providas de seus hóspedes, convidados a neutralizar as emissões de carbono relativas às suas hospedagens, com US$ 1 por noite.

Em setembro de 2008, o Projeto de REDD da RDS do Juma foi validado seguindo os critérios da certificação CCBA – Climate, Community and Biodiversity Alliance (Aliança Clima, Comunidade e Biodiversidade) emitido pela certificadora alemã TÜV SÜD, que concedeu ao projeto o padrão de qualidade OURO, sendo o primeiro do mundo a ser incluído nesse modelo.

Os recursos a serem obtidos permitirão à FAS, em coordenação com o Governo do Amazonas, executar medidas necessárias ao controle e monitoramento do desmatamento dentro dos limites do projeto e seu entorno, além de reforçar o cumprimento das leis e melhorar as condições de vida das comunidades locais.

A implementação do projeto deverá resultar, até 2016, na contenção do desmatamento de 7.799 hectares de floresta tropical, correspondendo a emissão evitada de 3.611.723 toneladas de CO2e para a atmosfera.

O projeto REDD no Estado do Amazonas está sendo realizado pela FAS em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Governo do Estado do Amazonas (SDS).

 

VERIFIED CARBON STANDARD – VCS

O VCS é um reconhecido sistema de certificação de iniciativas dentro do mercado voluntário de carbono, que permite a inclusão de novas metodologias dentro de seu sistema. Esse programa fornece normas e padrões independentes para a validação da garantia de qualidade de projetos de REDD, tornando possível a comercialização de seus créditos de carbono em mercados voluntários. Para aprovação no padrão VCS, novas metodologias deverão passar por uma dupla validação, as quais foram conduzidas por duas entidades independentes: Bureau Veritas e Rainforest Alliance.

 

O desmatamento e a degradação florestal correspondem a aproximadamente 20% da emissão global de gases do efeito estufa – mais do que o setor de transporte do mundo inteiro, atrás apenas do setor de energia. Isso se deve principalmente pela expansão da agricultura, transformação de florestas em campos de pastagem, o desenvolvimento de obras de infraestrutura, os efeitos destrutivos da exploração madeireira e incêndios florestais. Por isso, é crucial focar em ações para a prevenção do desmatamento.

 

PARA MAIS INFORMAÇÕES

Para mais informações sobre a Fundação Amazonas Sustentável acesse www.fas-amazonas.org/.

Para mais informações sobre o Fundo Biocarbon do Banco Mundial acesse http://wbcarbonfinance.org/Router.cfm?Page=BioCF&ItemID=9708&FID=9708

 

VÍDEOS

http://www.fas‐amazonas.org/en/secao/juma‐redd‐project/video

http://www.fas‐amazonas.org/en/secao/juma‐redd‐project

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