23/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Doente mental tratada pior que um cão

Publicado em 02 de julho, 2011

Enquanto o STF, o Executivo e Legislativo se desgastam em querelas jurídicas sobre direitos de gays, de detentos e até de um assassino confesso italiano, que buscou e conseguiu a impunidade, no Brasil, os doentes mentais continuam sendo tratados como lixo, escória, não como cidadãos, incapazes como as crianças.

É espantoso como no Brasil, mesmo com anos de luta pela reforma manicominial – e o Dr. Rogélio Casado esta aí para não deixar dúvida sobre isso –  os detentos são mais bem tratados do que os doentes mentais, inofensivos na sua maior parte. A escória da sociedade, na detenção, tem assistência médica e odontológica, nutricionista, visita íntima, celular, drogas, almoça e janta comida decente e ainda tem progressão de pena, indutos e todas as regalias que a lei graciosamente lhe confere.

Um doente mental só tem a rua, o descaso e manicômios superlotados. No Brasil, um cão recebe mais amparo legal e piedade do que um doente mental.

E não é exagero não. Quer um exemplo daqui de Manaus mesmo?

Entre o hotel Mônaco e o DB da Constantino Nery existe uma jovem mulher doente mental que, dizem, ficou doente depois que morreu a mãe dela.

Algumas pessoas procuraram ajudar a pobre doente, indo em secretarias do Estado e do Município, mas tudo que receberam foi “desdobro” e absolutamente nenhuma informação sobre a mulher ou sobre o que o poder público poderia fazer por ela.

Se fosse um cão, a moça teria recebido melhor tratamento. É assim que o poder público trata os cidadãos doentes.

O Estado e a Prefeitura negam apoio e solidariedade a uma cidadã que, por um infortúnio do destino, ficou doente da mente.

O que constrange e causa indignação nos moradores da área não é o fato da mulher estar ali, mas é o descaso com  que o Estado e o Município trata essa cidadã, cuja identidade ninguém sabe e nem quem são seus parentes.

Um haitiano vindo lá da casa do cacete é tratado com tapioca e café pelo Estado, pela Igreja e pelo Judiciário. Uma mulher, cidadã amazonense, negra e doente mental, é tratada como se fosse lixo por tais instituições!

Cadê o Deus que esse pessoal diz que acredita?

 

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