Se os incentivos fiscais têm sido virtuosos, no sentido de dar competitividade ao que se produz no Polo Industrial de Manaus, a infraestrutura faz o papel do vilão. Até arriscaria dizer que a capital do Amazonas vive verdadeiro caos logístico.
Produzir é uma coisa; fazer o bem final chegar à ponta do consumo nacional (sobretudo) e, também, internacional é outra bem diferente. Mesmo a mobilidade humana é dificultada pela ausência de ligação terrestre com o resto do País.
Urge cessar o discurso vazio e adotar medidas que não podem mais zombar da tolerância do tempo, a saber:
1) Desembaraçar o gargalo energético. Onde está o tão decantado linhão de Tucuruí? E o gasoduto, inaugurado com pompa e que, simplesmente, dois anos após, ainda não fornece gás? O fato é que a energia que abastece o Distrito Industrial é cara e sujeita a cortes que provocam redução da produção e da produtividade;
2) Reconstrução, praticamente, do obsoleto complexo Aeroporto Internacional Eduardo Gomes/“Eduardinho.” Tem tudo para virar hub; como está, não serve de quase nada, a não ser para afastar turistas e dificultar a vida das pessoas. Além de deixar mercadorias ao sol e à chuva, à falta de instalações adequadas para recepcioná-las;
3) Equacionar e resolver as notórias dificuldades portuárias, que encarecem o custo Amazonas;
4) Preparar hidrovias, visando a dar segurança e rapidez ao transporte de passageiros e cargas pelas nossas avenidas fluviais;
5) Resolver, de uma vez por todas o imbróglio em torno da Manaus-Porto Velho (ferrovia, o que eu preferiria, ou rodovia, com todos os cuidados ambientais necessários) de uma vez por todas, de modo a quebrar o isolamento físico do Amazonas, em relação aos demais estados. E otimizar as condições de trânsito na Manaus-Boa Vista, que facilita nosso intercâmbio turístico e comercial com o Caribe;
6) Aparelhar, convenientemente, a malha rodoviária estadual já existente, a começar pela estrada Manaus-Itacoatiara. Aprovei no Senado, em caráter terminativo, Zona de Processamento de Exportações (ZPE), que bem poderia ser usada para descentrar o polo componentista, “exportando” o produzido para a Zona Franca de Manaus;
7) Maximizar o bem dirigido, porém esvaziado, Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), idealizado e construído na gestão Fernando Henrique com dois fins bem claros: adaptar o PIM a também se bioindustrializar e, ao mesmo tempo, preparar o Amazonas para desenvolver atividades paralelas às atuais, pelo uso racional e eficaz da biodiversidade. Afinal, temos tudo para ser, nesse campo, uma super Costa Rica; deixamos de sê-lo por absoluta incúria e mesmice governamental.
Prosseguirei no próximo domingo. Tenho consultado técnicos e empresários. Pretendo apresentar, ao fim e ao cabo, modesta radiografia da Zona Franca, com seus impasses, virtudes e possíveis soluções.
Até domingo.
* Arthur Virgílio Neto é diplomata, ex-líder do PSDB no Senado e prefeito de Manaus