25/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Rede CBN detona preparação de Manaus, em série sobre sedes da Copa. Ouça

Publicado em 24 de junho, 2011

Na Série de Reportagens sobre cidades-sedes da Copa 2014, do CBN Total, programa diário nacional da rede de rádio, o repórter Leandro Mota, responsável pelo material de Manaus, fez um Raio-X duríssimo da capital amazonense. No final dessa matéria, você vai ouvir a íntegra da reportagem.

O repórter foi assistir Rio Negro 1 a 0 América, no estádio do Sesi, jogo no qual o time quase campeão da Série D do ano passado foi rebaixado para a Segunda Divisão do Campeonato Amazonense. Havia apenas 150 espectadores. E a presidente Bruna Parente afirma que o clube “cogita a possibilidade de fechar as portas”. O jornalista Carlos Zamith, do Baú Velho, vai mais fundo e afirma que “a tendência é acabar com o futebol local”.

Leandro relembra que cada partida no demolido estádio Vivaldo Lima dava em torno de R$ 5 mil de prejuízo. Com a nova arena, então… Ele entrevistou o presidente do Instituto Amazônico da Cidadania, Hamilton Leão, que entrou com ação contra a demolição do Vivaldão e até apresentou um projeto alternativo, do engenheiro Jerônimo Maranhão. Este, afirma que seu projeto faria um estádio igual e que custaria apenas R$ 200 milhões, contra os R$ 500 milhões do Vivaldão. “Engenharia não é quebrar tudo e construir de novo”, disse.

O advogado do Instituto Amazônico, Alcebíades Oliveira, afirma que o Vivaldão custou de R$ 350 milhões a R$ 400 milhões, mais R$ 25 milhões gastos na demolição, enquanto o novo sairá por R$ 500 milhões.

O contraponto ouvido pelo repórter é o coordenador da Unidade Gestora da Copa (UGC), Miguel Biango, que lembra: “O antigo estádio não tinha condições de atender às exigências de uma arena moderna”.

Os números da cidade também foram esgrimidos na matéria. “Manaus tem o 6º pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e o 7º pior Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). A rede de coleta e tratamento de esgoto alcança apenas 11% da cidade, segundo o IBGE”, diz Leandro. O sociólogo da Ufam Geraldo Vale lembra que “as obras de mobilidade não saíram do papel”; o escritor Márcio Souza é incisivo ao enfatizar que “o monotrilho é invasivo. Só existe em zoológico e parque de diversão. Talvez Manaus se torne um parque temático do que era uma civilização subdesenvolvida no século 20”; e Biango rebate dizendo que é “a solução mais adequada pro tamanho do problema que nós temos”.

As falhas graves apontadas pelo Ministério Público no projeto do BRT,  que trafega em vias exclusivas, e o “orçamento que já explodiu”, segundo o cientista político da Ufam Gilson Gil, são alguns entraves à sede da Copa, sem contar o que ainda falta: “Ampliar aeroporto, aperfeiçoar o sistema de telecomunicações e expandir a rede hoteleira”.

Jaime Kuck, urbanista da Ulbra-AM, comete um ato falho, ao confundir Manaus com o Amazonas (“A arrecadação de Manaus é grande, R$ 12 bilhões ao ano” – na verdade o Governo do Estado pretende arrecadar este ano em torno de R$ 11 bilhões e a Prefeitura de Manaus arrecada cerca de R$ 2 bilhões), mas mira melhor: “Nosso problema é gestão. A Copa, cronologicamente, está muito perto para que todos esses problemas sejam resolvidos”, diz.

 

Minha opinião

Nada disso é segredo para nós, amazonenses. O que surpreende e choca alguns é a forma crua como esses dados foram reunidos. Mas jornalismo é assim mesmo, isento e direto. Repórter não tem que coonestar com propaganda oficial.

Ficamos chocados? Então vamos trabalhar para mudar tudo isso. O que não vale é contestar números do IBGE, talvez o órgão governamental de maior credibilidade no Brasil.

Todo político investido de cargo no Amazonas sabe que suas carreiras serão seriamente afetadas se o projeto da Copa do Mundo em Manaus fracassar. Inclusive os de oposição, que serão apontados como “culpados” pelas inúmeras ações que, no frigir dos ovos, acabam retardando o processo – oposicionista tem que trabalhar, se não quiser entrar nessa fogueira, apontando alternativas e brigando para dar o máximo de visibilidade a elas.

A pior notícia é que essas coisas todas não dizem respeito apenas à Copa do Mundo. Dizem respeito ao futuro de Manaus e do Amazonas, independente de haver ou não a competição.

A saída passa pela organização e luta da sociedade. Afinal, quem pode achar o máximo uma cidade onde uma dúzia de invasores de terra reúnem meia dúzia de Kombis e saem invadindo terrenos, de um lado para o outro, deixando tontas as autoridades?

Sem organização, planejamento e muita luta, até o faturamento de US$ 35 bilhões do Polo Industrial de Manaus acabará se virando contra nós, apontado como “derrame de renúncia fiscal”. Mesmo o prefeito Amazonino Mendes reconhece que fizemos “muito pouco” com a renúncia de impostos que o País nos deu, em todos esses anos de Zona Franca.

Como lembra o sociólogo Luiz Antonio, citando Jean Paul Sartre, “não importa o que digam de nós e sim o que nós fazemos com o que dizem de nós”.

É mais fácil organizar Manaus que mudar o que o resto do Brasil pensa de nós. E olhe que organizar essa cidade é uma tarefa de Hércules.

Não lamente. Lute. Participe. Se não for por nós, que seja por nossos filhos.

PS: Antes que alguém pergunte. Eu não tive conhecimento prévio de que Leandro Mota estava em Manaus. Mas isso não faz a menor diferença.

 

 

OUÇA A ÍNTEGRA DA REPORTAGEM DE LEANDRO MOTA, DA REDE CBN:

Manaus sede da Copa 2014 – CBN Brasil

Veja mais notícias em Cidade

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.