Em 1995, José Serra assumiu o Ministério do Planejamento a quem a SUFRAMA estava vinculada e, obviamente, desejava nomear alguém de sua confiança para tocar o órgão. Isso é absolutamente normal.
O superintendente que estava no cargo era o Dr. Manoel Rodrigues, técnico de reconhecida competência, que havia sido nomeado pelo outrora Presidente Collor de Melo num acordo político que loteou as superintendências adjuntas para garantir votos contra o impeachment (relembrando: só quem honrou o “acordo” foram os deputados Ézio Ferreira e Atila Lins).
Serra queria trocar Manuel Rodrigues, não pelo técnico que ele era e é, mas para deixar claro que quem mandava era ele, e não o Amazonino que como senador havia indicado o Manuel e como governador defendia sua manutenção.
Ele foi ao Presidente FHC que não deu sinal verde para tal mudança, pois tinha sido apoiado por Amazonino em 94 e precisava dos votos no Congresso que o então governador do Amazonas controlava (aí incluídos deputados do Acre) para aprovar as reformas. Serra ficou irritado com isso e adotou a postura dar um gelo total na SUFRAMA e no Manuel. Nunca o recebeu e deixou de marcar reuniões do Conselho de Administração da SUFRAMA. Isso deixou as duas principais lideranças locais do tucanato – o saudoso Senador Jefferson Péres e o então deputado federal Arthur Virgilio Neto – numa situação desconfortável. No entanto, ao mesmo tempo em que eles discordavam das atitudes do Serra, entendiam que ele tinha o direito de nomear alguém da sua confiança. Foram os dois que fizeram o meio campo para que o imbróglio fosse solucionado.
Em maio de 1996, quando o Serra já estava deixando o Ministério para ser candidato à Prefeito de São Paulo, ocorreu a substituição de Manuel Rodrigues por Mauro Ricardo Costa, técnico de grande gabarito, funcionário de carreira da Receita Federal que assumiu a SUFRAMA e a colocou nas páginas de economia.
Foi só por conta disso que nós, eu incluído, carimbamos o José Serra como inimigo da Zona Franca. A imprensa bateu horrores nele. Editoriais de primeira página, editoriais nos telejornais, enfim o Serra passou a ser o “diabo” para nós. Esse é o fato.
Em 2011, após perder a eleição para o Governo de São Paulo, o outrora senador Aloisio Mercadante foi nomeado Ministro da Ciência e Tecnologia. Foi para esse cargo para ter visibilidade para ser candidato ou a Prefeito de São Paulo, agora em 2012, ou a Governador de São Paulo em 2014 pelo seu partido, o PT.
Com esse objetivo, o de fazer coisas boas para São Paulo para cacifar-se eleitoralmente, ele foi o mentor da MP 534 que deu mais vantagens para que os tablets fossem produzidos em São Paulo do que em Manaus. Esse fato, somado com toda uma agenda positiva que o Mercadante tem todos os dias na mídia de São Paulo, já fez com que ele seja o primeiro nas pesquisas para a Prefeitura da capital paulista.
Então, ele resolveu aumentar a dose. Já anunciou que pretende ampliar os incentivos da MP 534 para estender os mesmos benefícios dos tablets para telefone celular e aparelhos de televisão. Ora, isso diminui as condições de competitividade de Manaus em relação a São Paulo fazendo com que de imediato ninguém venha mais para cá e em médio prazo as empresas que estão aqui se transfiram para lá.
Ou seja, o que ele fez e está anunciando que vai fazer, quando comparado com o que o Serra fez, deixa o tucano na condição de quem não fez nada de mais conosco nos anos 90. O Mercadante é o nosso inimigo e não mais o Serra.
Isso é uma sacanagem do Mercadante com o Amazonas, mas eu estou vendo todo mundo caladinho. Comeram abiu verde. Nossa imprensa escrita e televisionada não sabe mais o que é editorial, o Governador Omar Aziz acuado e a bancada caladinha esperando a liberação de umas emendas e uns carguitos (uns para manter, outros para conquistar). Tem até um parlamentar que começou arrumar desculpas dizendo que o Amazonas não fez o dever de casa porque não temos energia, banda larga, porto, aeroporto e estradas.
Espera aí, amigão Praciano, quem foi que não fez o dever de casa?
Nós ou o Governo Federal?
De quem é a responsabilidade da energia?
É do Governo Federal.
Há quantos anos o PT está no poder e a presidente Dilma tendo como parceiro o senador José Sarney manda, desmanda, batiza, crisma, casa e descasa na área energética?
10 anos.
E agora somos nós que não fizemos o dever de casa?
Não será que foi ela que agora é Presidente que não fez o dever de casa?
Vamos deixar de miçangas. Temos que responder pelas nossas falhas, sim, mas não podemos ser responsabilizados pela omissão, para dizer o mínimo, dos outros.
E no caso, a omissão é do Governo Federal.
Sou aliado, não sou serviçal.
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* Serafim Corrêa é economista, advogado e ex-prefeito de Manaus.