Carlos Alexandre, Parintins – Os movimentos de 80% das alegorias do boi Caprichoso são construídos pelo mecânico de automóveis João Ferdinando Guimarães Vieira, 46, o Ferdinando Carivardo. Há 17 anos trabalhando no festival de Parintins, ele diz que construir o movimento de uma alegoria é como consertar um carro.
A dedicação ao trabalho e a mágica que faz com cabos de aços que articulam a movimentação de gigantescas estruturas alegóricas lhe renderam convites para trabalhar no carnaval de Manaus, no Sairé de Santarém e no eixo Rio São Paulo. “Cada articulação, cada detalhe é minuciosamente trabalhado como se realmente estivéssemos montando o motor de um carro”, disse ele.
A explicação de Ferdinando Carivardo parece simples, mas, nas alegorias de lendas e rituais, para que todos os movimentos sejam executados com perfeição, é necessário a presença de no máximo 20 pessoas.
A equipe que produz os movimentos é pequena, formada por ele e os filhos Marcel e Tássio Guimarães. Segundo Carivardo a maior gratificação não está no contrato com o boi, mas no reconhecimento do trabalho cumprindo.
Alegoria no controle
A cada ano que passa, Ferdinando Carivardo vem aperfeiçoando novas formas de fazer movimentos em alegorias. Em 2010, uma das araras com dois metros de cumprimento da alegoria, do artista Emerson Brasil, tinha movimentos que foram acionados a cerca de 500 metros por controle remoto. “Ninguém percebeu que aquela arara não era mecânica”, conta.
Para este ano, ele pretendia fazer alguns dos peixes que ilustram a alegoria dos artistas Pojó Carvalho e Rogério Azevedo com movimentos feitos a partir de controle remoto, no entanto, não será possível, devido ao tempo muito curto para a confecção dos controles, montados artesanalmente.
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