O líder indígena do Alto Rio Negro Álvaro Tukano, que na década de 1980 chegou a disputar com chances de vitória a Câmara Federal, está lançando o livro “Doéthiro (Irmão Maior) – Álvaro Tukano e os Séculos Indígenas no Brasil”. A produção, de 2010, não foi lançada oficialmente e deve ser levada às universidades brasileiras. “É um relatório de uma viagem que fiz pelo Brasil”, destacou. “Precisamos reeducar nossa juventude”, acrescenta o indígena, um dos fundadores da Foirn.
“Doéthiro” tem 176 páginas e traz relatos da vida nas aldeias, seus conflitos políticos, carências em relação à posse da terra, à saúde, à educação e às conquistas de lugar e identidade.

Álvaro, que voltou a ter os cabelos longos, reuniu com o secretário estadual dos Povos Indígenas, Bonifácio Baniwa (direita)
Álvaro Tukano é um dos líderes indígenas convidados e que vão estar no encontro “Diálogo entre Lideranças do Movimento Indígena da Amazônia Brasileira”, promovido pela Secretaria Estadual dos Povos Indígenas (Seind). Nascido na aldeia São Francisco, em São Gabriel da Cachoeira, ele esteve nesta sexta-feira (17/06) em Manaus e foi recebido na Seind pelo secretário Bonifácio.
Depois de tantos anos, ele diz que os povos começam a colher o que foi plantado e que o encontro no rio Negro vem para confirmar isso. Resume-se numa grande reflexão sobre o Movimento Indígena, que precisa se fortalecer, ante a posição de terceiros que querem tomar decisões pelos índios. “Quando os brasileiros não falam com voz própria, quando são muito globalizados, para mim soa diferente, por isso temos que centralizar as forças para defender a Amazônia, que tem 71 índios isolados, desses 31 são confirmados e outros estão em fase de estudo”, observou. “Apesar de não conhecê-los pessoalmente é obrigação, do movimento, defender esses povos, porque esse tipo de qualidade de vida no mundo, só nós temos”, destacou.
O líder indígena lembrou líderes assassinados ou esquecidos para a região do rio Negro se tornar foco do Movimento Indígena no Amazonas. “Não estão sabendo valorizar uma das maiores riquezas que a Amazônia tem, que são os conhecimentos tradicionais”, criticou Álvaro. “Nós prestamos um grande serviço ambiental para o Brasil e a humanidade e os outros países tem que aprender conosco que temos tudo de graça: água, floresta…”, enumerou.
O líder Tukano também abordou o entrave à mineração, que ainda existe em Brasília, impedindo que projetos como o Lapidart – desenvolvido pela Seind, em parceria com a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Sect) – sejam executados. “Os governantes vão ter que sentar conosco em relação a essa pauta. Não podemos ser índios pintadinhos para gringo ver, servir de fantasia para muita gente que só tem a teoria de preservação”, disparou. “Os índios continuam defendendo a floresta em pé, enquanto os gringos devastaram por lá e agora querem ensinar o índio a viver. Não podemos aceitar isso”, finalizou.
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