Manaus tem, há muito tempo, a pior e mais cara Internet do Brasil. A Net, com o monopólio do acesso, ditou os preços solitariamente durante anos. Nesse cenário paradisíaco para a empresa, o usuário se arrastava pela rede e só conseguia alguma velocidade quando, alta madrugada, pouquíssimos notívagos estavam conectados.
Agora, evidentemente diante das promessas da Oi, que trouxe um cabo de fibra ótica dos Estados Unidos, via Venezuela (BR-174), a Net ampliou as velocidades.
Não é verdade que isso seja coisa nova. Há cerca de dois anos, diversos funcionários da Embratel afirmam que a empresa disponibiliza espaço na grande rede, megas e mais megas, mas não interessava às operadoras comprá-lo. “Nosso preço é o mesmo de outros Estados”, disse-me um desses funcionários, diante de um questionamento sobre a razão de a Oi cobrar acesso ao Velox mais caro em Manaus que em outros lugares.
Em suma, Oi, Net, Vivo, Tim e todas as demais operadoras de telefonia e Internet, não compraram antes mais banda para disponibilizar aos seus usuários porque não quiseram. O resultado é que, na hora do rush, a Internet simplesmente parava. Os reflexos iam da produção dos jornais, o que nos afeta a nós, jornalistas, diretamente, até os travamentos constantes no sistema bancário, o que afeta a todos – tem coisa pior que você estar na fila e o caixa dizer, com aquela cara de paisagem, “o sistema travou”?
A contribuição da Oi é mais importante para a contingência. Com a Embratel, a empresa fecha o “anel de acesso” ao cabo internacional, metade indo pela BR-319 (Embratel) e a outra metade pela BR-174 (Oi). As duas são obrigadas, por norma da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a oferecer banda de contingência para a outra. Assim, quando uma queimada no Sul do Amazonas derrubar um cabo da Embratel, como já aconteceu, ela migrará instantaneamente para o cabo da Oi – e vice-versa.
Tomara que agora a Internet ande. Ninguém aguentava mais se arrastar na rede.
PS: no site da CBN (www.cbnmanaus.com.br) você confere a entrevista completa do gerente da Net em Manaus, Lisandro Bueno.
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