O governador Omar Aziz terá que decidir, ao longo dos quatro anos de seu segundo mandato, se fará algo que o diferenciará dos demais governadores ou se manterá discreto, sem grandes atitudes ou obras, para conservar o status que, inapelavelmente, reconduzirá Eduardo Braga ao Governo do Amazonas. Em outras palavras, ou se torna eleitor fundamental em 2014 ou mero suporte financeiro do antecessor.
O que fazer, então, para diferenciar um governo do outro? “Refinar” obras de Eduardo Braga é um bom caminho.
Exemplos?
A ponte sobre o rio Negro. Inadmissível que uma obra desse porte seja concluída, entregue, inaugurada, sem desapropriar terras, o que a transformaria em mero trampolim para a especulação imobiliária. Ou, pior, sem a duplicação da Manaus-Manacapuru, o que significa colocar as vidas que trafegam naquela rodovia – quintuplicadas com a ponte – à mercê do acaso e da habilidade do motorista amazonense, desacostumado com estradas e, portanto, um perigo eminente.
Outro exemplo? O igarapé de Manaus. Um absurdo que, tendo uma nascente tão próxima, no entorno da rua Tarumã, o curso d’água tenha sido tubulado, escondido, transformado em simples esgoto, quando pode ser um modelo para o convívio ambiental da cidade inteira.
Outra idéia, que ofereço pelo blog porque não tenho falado ultimamente com Omar, é que ele mude a travessia Manaus-Careiro do porto da Ceasa para o porto de Iranduba. Seria possível concorrer, desta forma, com o monopólio de empresas privadas nas balsas da Ceasa, com o péssimo serviço do Ministério dos Transportes no porto do Careiro da Várzea e encerrar o sofrimento de todos quantos precisam atravessar esse verdadeiro calvário.
Mais uma coisa: transforme uma das cidades da Região Metropolitana de Manaus em modelo. Pode ser Presidente Figueiredo, para desviar um pouco o foco da ponte – embora não seja possível deixar de fazer um centro turístico no lago do Cacau-Pirêra, com direito a infraestrutura de bares na praia e pedalinho no lago. As cachoeiras são verdadeiro convite para um Polo de Gastronomia. E não uso inutilmente esse “alta e baixa”, como se diz nas redações dos jornais (o “alta” é o “P” e o “G”). Petrópolis, no Rio de Janeiro, transformou Itaipava no terceiro Polo Gastronômico do Brasil, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro, e colheu muito dinheiro com o turismo.
Obras assim, que parecem simples, diferenciariam Omar Aziz de Eduardo Braga. Ok, um faz grandes gestos, mas o outro teria um olhar mais humano sobre a vida na cidade e do Estado onde mora.
A decisão é de Omar. Ou faz um vôo solo ou se consagra no papel de coadjuvante, para os quais a História não tem lugar.
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