Disputa entre Mano G e Zé Roberto, da FDN, pode ter motivado chacina na Compensa

Escudo do time Compensão estava pintado na cela de Zé Roberto, em 2016, quando ele cumpria pena no Compaj. Foto: Arquivo

Mais um capítulo do racha interno da terceira maior facção criminosa do Brasil, a Família do Norte (FDN), foi escrito com uma verdadeira chacina onde seis pessoas foram mortas e pelo menos 15 ficaram feridas, durante um treino de futebol no Centro Social Urbano (CSU) da Compensa, zona Oeste, nesta terça-feira (12).

O vice-governador e Secretário de Segurança Pública de Manaus, Bosco Saraiva, disse, em nota, que tudo indica que as mortes são resultado de confrontos por disputa no tráfico de drogas.

A chacina, que pode ter mais mortes, uma vez que um dos feridos, um adolescente de 17 anos, está internado em estado gravíssimo, ocorreu durante um treino entre jogadores dos times Compensão e T5 Jamaica, ambos da Compensa.

Fuzis

Um grupo de homens não identificados, fortemente armados, com fuzis, fez vários disparos em direção aos jogadores.

Extra-oficialmente há uma ligação entre a morte de um ex-presidiário ocorrida ontem, de Jorge Alberto Barreto, 30, o “Buiu”, executado com quatro tiros, na Cachoeirinha, e as mortes no campo. “Buiu” seria ligado ao traficante da FDN, Gelson Lima Carnaúba, o “Mano G”, que cumpre pena no presídio federal de Catanduvas (PR).

Lá também está preso o José Roberto Barbosa, o “Zé Roberto da Compensa”, um dos fundadores da FDN e patrocinador do Compensão, time que disputa competições pela cidade. Em 2016, o escudo do Compensão estava pintado na cela de Zé Roberto e nos principais corredores do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).

Retaliação

A chacina seria uma retaliação entre comandados de Mano G e Zé Roberto. Ambos tem envolvimento com os massacres ocorridos no Compaj.

Carnaúba e Zé Roberto são fundadores da facção criminosa. E dos dois são citados como autores intelectuais, ao lado do narcotraficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, na denúncia do Ministério Público (MP-AM) sobre um dos maiores massacres do Brasil, no Compaj, em janeiro deste ano.

A chacina que resultou na morte de 56 presos foi em alto grau de violência e barbárie, com decapitações e esquartejamento de vítimas rivais da facção, do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a denúncia, o massacre serviu também para os chefes da FDN causarem pânico aos rivais. Agora o pânico está dentro da facção.

Jogadores do time de Zé Roberto foram executados na noite de ontem

O time

O Compensão, time campeão do Peladão em 2006 e 2008 e que aparece entre os primeiros da disputa, por vários anos, tinha o escudo pintado na parede da cela que era ocupada por Zé Roberto.

O escudo do time de futebol, que reúne jogadores do bairro da Compensa, mas consegue fazer uma espécie de seleção entre os que se destacam, ano após ano, aparecia também na quadra de esportes do Compaj.

O líder da FDN, amante do futebol, articulava de dentro do presídio a contratação de jogadores, treinadores e outras formas de estruturação do Compensão.

Reforço na segurança

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas informou que o reforço no policiamento em Manaus está sendo realizado com emprego de tropas aquarteladas, após os homicídios.

As investigações sobre a autoria do crime estão em andamento pela Polícia Civil do Amazonas, sob a coordenação da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros.

Os três carros utilizados pelo grupo criminoso foram encontrados abandonados no bairro Lírio do Vale, também na zona Oeste, e no bairro Colônia Santo Antônio, na zona Norte. Os três veículos encontrados estão passando por perícia.

As tropas da PM, do Choque, Rocam, Força Tática e a de Policiamento Especializado estão nas ruas de Manaus desde a madrugada. A Polícia Civil também colocou nas ruas os veículos blindados do Grupo Fera, para fazer o monitoramento da Região Oeste.

Nota

Em um comunicado, Bosco Saraiva, disse que logo após o crime determinou o reforço no policiamento: “Imediatamente após o ocorrido, houve um reforço no policiamento daquela região para garantir a segurança da população. A polícia está apurando o caso. Desde ontem, colocamos o reforço máximo de policiamento na rua, inclusive a tropa que nós temos de reserva, que é a Tropa de Policiamento Especializado, que ficou saturando as áreas da cidade e dando suporte à nossa Polícia Civil, que está investigando o caso”.

Bosco Saraiva disse ainda que o serviço de inteligência está atuando dentro de fora dos presídios. “Há alertas da nossa inteligência que trabalha com informações de um possível confronto entre facções na cidade de Manaus. Nosso dever é proteger os homens de bem, proteger as famílias, proteger os trabalhadores do nosso Estado, e toda a cúpula da Segurança e da Seap está trabalhando nisso”, disse o secretário.

Seis mortes

Seis pessoas morreram. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, duas vítimas morreram no local dos disparos e quatro chegaram a ser levadas a unidades de saúde do Estado.

Nove pessoas tiveram ferimentos em decorrência dos tiros e receberam atendimento no SPA Joventina Dias e no Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, fora outros que foram socorridos por populares. Cinco já foram liberadas, duas pessoas estão internadas, sendo uma em estado grave.

Um dos mortos, Michel de Sena Passos, de 33 anos, era treinador voluntário de uma escolinha de futebol. Os outros cinco são Davi Costa da Silva, 27; Ronaldo de Oliveira Souza, 23; Edilson Xavier Diniz Júnior, 24; José Diego Sena Serrão, 17, e Rodrigo de Oliveira Souza, 24.

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