Saiba como identificar problemas auditivos nas crianças e a importância do teste da orelhinha

Lá pelo terceiro mês de gestação, os bebês já percebem sons. “Por se desenvolver tão precocemente, a audição é um poderoso canal de comunicação após o nascimento. Por isto, as falhas auditivas devem ser notadas o quanto antes”, diz o pediatra e homeopata Moises Chencinski (CRM-SP 36.349).

Segundo o médico, na 13ª semana de gestação, um bebê normal percebe os sons pela vibração na pele. Por volta da 17ª semana, consegue ouvir um pouco do que se passa dentro e fora do corpo da mãe. Na 20ª semana, distingue a voz materna. Ao nascer, a audição está pronta, mas levará algum tempo para o sistema neurológico amadurecer, permitindo que o bebê demonstre reações ao som, como, por exemplo, virar o rosto para olhar quem fala.

Quando algo não vai bem…

Sinais de que algo pode estar errado manifestam-se no comportamento dos bebês ou das crianças que não se interessam por brinquedos que fazem barulho ou os manipulam de forma muito barulhenta. “Isso também vale para aquelas que, entre os 12 e os 18 meses, não aumentam seu vocabulário ou não atendem quando chamadas pelo nome”, explica o médico.

Veja o que é esperado de uma criança, em cada fase de seu desenvolvimento:

  • Até 3 meses: acordar ao ouvir um barulho forte;
  • Dos 3 aos 6 meses: movimentar os olhos e se virar na direção de vozes;
  • Entre 6 meses e 1 ano: balbuciar sílabas simples, como “mamã”, tentando reproduzir o que escuta;
  • De 1 a 2 anos: falar palavras comuns, interagindo com os adultos. Elas aprendem a falar naturalmente, na medida em que ouvem os pais e os amigos. “As crianças com deficiência auditiva não têm esse benefício. O período mais crítico é antes dos três anos. Por isso a importância de os pais levarem os filhos para fazerem testes auditivos. Os que não começam um tratamento cedo podem ter mais dificuldade para aprender a falar e ler, o que prejudica a aprendizagem na escola”, diz o pediatra, que também é membro do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Chencinski destaca que é natural que cada criança se desenvolva dentro do seu tempo. “Mas, se você notar uma constante falta de reação no seu filho, deve consultar um especialista. Na maternidade, ele deve fazer o teste da orelhinha, que confere o bom funcionamento do sistema auditivo”, orienta.

Em cada grupo de 10 mil recém-nascidos, 30 apresentam problemas de surdez. “Uma das causas mais frequentes de surdez são as infecções virais na gravidez, como a rubéola, perfeitamente evitável com orientação adequada no pré-natal. Uma boa assistência no nascimento permite que a deficiência seja detectada precocemente e não comprometa o desenvolvimento da criança”, afirma o pediatra.

“O bebê deve fazer, ainda no hospital, o teste da orelhinha: o exame de Emissões Otoacústicas Evocadas. É gratuito e obrigatório, como o teste do pezinho, em alguns hospitais municipais. Nas maternidades privadas, o exame pode ser cobrado. Todo recém-nascido deve fazer o teste da orelhinha no primeiro mês de vida. É um exame rápido, que verifica se a criança responde a um estímulo sonoro”, conta Chencinski.

O procedimento é indolor, “uma pequena sonda é colocada na orelha do bebê e ligada a um aparelho. Ele emite um som, que chega ao ouvido interno e volta ao aparelho. A ausência desse retorno indica um problema. Se o teste da orelhinha acusa deficiência auditiva, o primeiro passo é consultar um otorrinolaringologista para complementar a avaliação. Assim, a criança inicia logo o tratamento, evitando problemas com o desenvolvimento da linguagem. Em muitos casos, é preciso garantir também o acompanhamento de um fonoaudiólogo para garantir que a fala e a audição tenham um progresso normal”, explica o pediatra.

A identificação precoce do problema auditivo é a chave do sucesso do tratamento bem sucedido nesse campo. “Depois de descobrir e confirmar que a criança tem mesmo um déficit de audição, trabalhamos muito próximo dos pais. Às vezes, a criança precisa usar um aparelho auditivo, e quem vai ajudá-la nesta adaptação são os pais”, diz o médico.

Dependendo de cada caso, o tratamento indicado pode abranger estímulos sonoros, terapias de reabilitação, próteses que amplificam o som e até mesmo uma cirurgia, como o implante coclear — um aparelho colocado dentro do ouvido, que leva o som ao nervo auditivo. Tudo depende do grau da deficiência, que pode ser leve, moderada, severa ou profunda, envolvendo perdas de 40 a 90 decibéis.

Outras causas de deficiência auditiva

Problemas de audição na infância são mais comuns do que os pais imaginam. Seis em cada dez crianças em idade pré-escolar apresentam alguma perda auditiva, cuja origem não é congênita.

“A surdez parcial é provocada, na maioria das vezes, pelo acúmulo de secreções produzidas por gripe, resfriado e infecções nas vias respiratórias. A criança não escuta bem porque essas secreções tapam o canal de comunicação que liga o nariz e a garganta ao ouvido”, explica o médico.

Sinais de alerta

Os pais devem considerar a hipótese de a criança ter um problema auditivo nas seguintes situações:

  • Se ela assiste TV em volume alto;
  • Se pergunta muito “hein?” e parece desinteressada ou distraída;
  • Se ronca à noite, um indício de problema na adenoide;
  • Se tem dificuldade para ler;
  • Se troca as letras com frequência;
  • Se tem gripe e alergia respiratória constantes;
  • Se vive com as vias respiratórias congestionadas;
  • Se apresenta queixa de dor de ouvido constantemente.

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