
Fiscalização ambiental termina em emboscada contra agentes em Manicoré
Cinco agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foram atacados durante uma ação de combate à exploração ilegal de madeira no município de Manicoré, no sul do Amazonas. O caso ocorreu no sábado (15), enquanto a equipe realizava atividades de fiscalização em ramais clandestinos dentro da Terra Indígena Tenharim-Marmelos, localizada a cerca de 332 quilômetros a sudoeste de Manaus. Parte dos suspeitos envolvidos no ataque já foi identificada, segundo informações da Polícia Federal.
De acordo com as informações repassadas pelas autoridades, os servidores do Ibama estavam em campo verificando denúncias relacionadas à retirada irregular de recursos florestais na região, área que tem sido alvo recorrente de invasões e desmatamento ilegal. Durante a operação, os fiscais foram surpreendidos por um grupo formado por aproximadamente 30 pessoas.
Segundo o relato das autoridades, os suspeitos agrediram os agentes e efetuaram disparos de arma de fogo durante a abordagem. Diante da situação, os servidores buscaram abrigo na floresta para preservar a própria integridade física enquanto aguardavam condições seguras para deixar o local. Apesar da gravidade da ocorrência, os cinco agentes não ficaram feridos.
O veículo utilizado pela equipe durante a operação foi incendiado pelos agressores. Após conseguirem se afastar da área do ataque, os fiscais comunicaram o ocorrido às autoridades e registraram a ocorrência junto à Polícia Federal, que iniciou as investigações para identificar e responsabilizar os envolvidos.
As primeiras apurações indicam que parte da madeira retirada ilegalmente da Terra Indígena Tenharim-Marmelos estaria sendo transportada e comercializada na região da Vila Santo Antônio do Matupi, localizada no quilômetro 180 da rodovia Transamazônica. A localidade é apontada como ponto de escoamento de material extraído de forma irregular em áreas protegidas da região.
A exploração ilegal de madeira continua sendo apontada como um dos principais fatores de degradação ambiental na Amazônia. Levantamentos indicam que, no estado do Amazonas, mais de 60% da madeira explorada apresenta indícios de irregularidades, incluindo fraudes em documentos utilizados para dar aparência legal ao produto retirado de unidades de conservação e terras indígenas.
Em nota, o Ibama informou que ataques contra servidores públicos durante o exercício de atividades de fiscalização são considerados crimes e serão apurados pelas autoridades competentes. “O Instituto reafirma que ataques a agentes públicos no exercício de suas funções são inaceitáveis e serão rigorosamente apurados pelas autoridades competentes”, informou o órgão.
As investigações seguem em andamento com o objetivo de identificar todos os participantes do ataque e apurar a possível ligação deles com a exploração ilegal de recursos naturais na região. O Ibama informou ainda que continuará realizando operações de fiscalização ambiental em articulação com órgãos de segurança pública para combater atividades ilícitas relacionadas à exploração de madeira na Amazônia.