04/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Amom aciona TCU e MPs por gestão de recursos em Iranduba

Publicado em 05 de março, 2026

Amom aciona TCU e MPs por gestão de recursos em Iranduba

O deputado federal Amom Mandel protocolou representação no Tribunal de Contas da União e encaminhou denúncias ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público do Estado do Amazonas pedindo investigação sobre a aplicação de recursos federais no município de Iranduba.

A iniciativa questiona o contraste entre o volume de recursos administrados pela prefeitura e a situação de precariedade em serviços públicos e infraestrutura urbana, com destaque para a crise ambiental envolvendo o lixão a céu aberto da cidade.

Segundo dados citados pelo parlamentar a partir do Portal da Transparência, o município movimentou cerca de R$ 1 bilhão em orçamento nos últimos cinco exercícios financeiros. Desse total, mais de R$ 630 milhões correspondem a transferências diretas da União entre 2022 e 2025.

Entre os valores mencionados estão repasses federais de aproximadamente R$ 130,2 milhões em 2022, R$ 139,4 milhões em 2023, R$ 177,1 milhões em 2024 e R$ 184,4 milhões em 2025.

Crise ambiental

Na representação, Amom afirma que, apesar do crescimento do fluxo de recursos, Iranduba enfrenta problemas estruturais graves, como deterioração de vias públicas, falhas no abastecimento de água e precariedade na gestão de resíduos sólidos.

O parlamentar cita ainda a situação do chamado “novo lixão” do município, apresentado como Parque de Soluções Ambientais, cuja implantação foi suspensa por decisão da Justiça do Amazonas após questionamentos sobre o licenciamento ambiental.

A paralisação ocorreu após manifestação do Ministério Público do Amazonas apontando irregularidades no processo conduzido pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas. A decisão judicial também fixou multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento.

Enquanto o projeto permanece suspenso, o lixão a céu aberto continua operando em condições precárias, com relatos de risco de contaminação ambiental, queimadas e presença de animais peçonhentos.

Fiscalização solicitada

Na representação ao TCU, o deputado solicita a realização de auditoria contábil, financeira e operacional para verificar a aplicação de recursos federais destinados a infraestrutura urbana e serviços públicos essenciais.

Entre os pontos levantados estão possíveis indícios de desvio de finalidade, execução incompleta de obras e aplicação considerada antieconômica de verbas públicas.

A denúncia também menciona dados da Justiça Eleitoral do Brasil sobre o patrimônio declarado pelo prefeito de Iranduba, Augusto Ferraz, que nas últimas eleições informou possuir bens avaliados em R$ 8,37 milhões.

Saúde e educação

A fiscalização parlamentar também aponta problemas na rede pública do município. Entre os exemplos citados estão atrasos nas obras do Hospital Regional Hilda Freire, presença de infiltrações e equipamentos hospitalares inoperantes, como usina de oxigênio, autoclave e aparelho de raio-X.

Na área educacional, o documento menciona denúncias sobre precariedade no transporte escolar e dificuldades na manutenção de unidades de ensino, mesmo com o recebimento de mais de R$ 161 milhões em recursos federais destinados à educação entre 2022 e 2025.

Na representação, Amom Mandel solicita que os órgãos de controle cruzem dados de repasses federais com a execução física de obras e serviços, requisitem documentos administrativos e avaliem eventuais responsabilidades por irregularidades ou omissões na gestão municipal.

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