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O peixe liso, de couro brilhante e carne firme que domina as águas barrentas do Amazonas tem data marcada para sair do lago: 16 de março. Até lá, o município de Careiro da Várzea concluiu uma verdadeira engenharia social e produtiva para garantir que a Pesca do Mapará 2026 aconteça com organização, sustentabilidade e renda garantida às comunidades ribeirinhas.
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas (Sebrae/AM) encerrou nesta quinta-feira (26/02) a maratona de Oficinas de Ordenamento Pesqueiro, realizada em sete comunidades do entorno do Lago do Rei — Inema, Cambixe, Vila do Careiro, Costa do Terra Nova, Igarapé dos Reis, Marimba e Paraná do Terra Nova. A última etapa ocorreu nesta comunidade, fechando o ciclo preparatório da safra.
Ao todo, foram cadastradas 382 canoas, com duas pessoas por embarcação, e cerca de 800 pescadores participaram das oficinas, que incluíram palestras sobre legislação, manejo sustentável, comercialização e orientações práticas sobre a dinâmica da pesca.
Pouco valorizado nas feiras de Manaus, o mapará é protagonista no interior. Quando chega a temporada, o lago vira cenário de um espetáculo de canoas alinhadas ao amanhecer, redes lançadas com precisão e toneladas de peixe que, em poucos dias, movimentam a economia e abastecem os mercados.
Em 2025, foram cerca de 340 toneladas capturadas, representando quase R$ 2 milhões circulando na economia local. Para 2026, a estimativa é de aproximadamente 300 toneladas, dentro de parâmetros sustentáveis.
Segundo o gestor do Projeto de Recursos Pesqueiros do Sebrae/AM, Leocy Cutrim, o ordenamento fortalece a cadeia produtiva e profissionaliza a atividade. Ele destaca que o pescador deve ser compreendido como microempreendedor, capaz de negociar melhor, agregar valor ao pescado e ampliar renda.
Durante as oficinas, equipes do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) e da Secretaria de Estado de Pesca e Aquicultura do Amazonas (SEPA) apresentaram dados técnicos das safras anteriores, análises ambientais e informações socioeconômicas. O foco foi evitar pressão desordenada sobre o estoque pesqueiro e garantir equilíbrio do recurso natural.
A metodologia participativa incluiu credenciamento das embarcações, levantamento de dados e capacitação para negociação e gestão da produção. A Polícia Militar do Amazonas orientou sobre fiscalização e reforçou que apenas pescadores regularizados poderão participar da pesca oficial.
A ação integra o cronograma pré-pesca do município e foi realizada em parceria com a Prefeitura de Careiro da Várzea, por meio das secretarias municipais de Pesca e Aquicultura e de Meio Ambiente, com apoio da Câmara Municipal, colônias de pescadores e órgãos estaduais.
Para a gestão municipal, o ordenamento consolida o Careiro como referência em organização da atividade pesqueira. Em poucos dias de captura, entre 250 e 300 toneladas são retiradas do lago, gerando renda direta nas próprias comunidades ribeirinhas.
O pescador Jésos de Mainá, da comunidade Paraná do Terra Nova, resume o sentimento local: com tudo credenciado e orientado, evitam-se conflitos no dia da pesca, melhora-se a negociação e garante-se futuro às famílias que dependem da atividade.
No dia 8 de março, ocorre o Encontro de Negócios no Lago do Rei, reunindo três representantes de cada comunidade e potenciais compradores para definir preço, logística e comercialização. A pesca oficial será liberada às 6h do dia 16 de março, após o período de defeso da espécie.
Mais do que tradição, a Pesca do Mapará é uma engrenagem econômica que pulsa no ritmo das águas. Entre redes, canoas e acordos firmados à beira do lago, o peixe de couro liso reafirma sua força como uma das principais cadeias produtivas sustentáveis do Careiro da Várzea — e um modelo de gestão que combina conservação, renda e identidade amazônica.
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