
Informação é da Organização Internacional para as Migrações (Foto: Antonio Sempere)
Quase 8 mil pessoas morreram ou desapareceram ao longo de rotas migratórias internacionais em 2025, segundo levantamento da Organização Internacional para as Migrações. O total de 7.667 casos registrados representa uma redução em relação a 2024, quando cerca de 9.200 mortes foram contabilizadas, mas a entidade alerta que os números reais podem ser maiores devido à dificuldade crescente de monitoramento.
A organização aponta que a diminuição dos registros não indica, necessariamente, melhora nas condições das travessias. Cortes de financiamento e restrições de acesso humanitário têm comprometido a coleta de dados e a assistência em diversas regiões, ocultando a real dimensão da crise migratória.
O endurecimento das políticas migratórias em países da Europa, nos Estados Unidos e em outras regiões tem limitado as vias legais de deslocamento, levando mais pessoas a recorrer a rotas irregulares e a redes de contrabando. Em comunicado, a diretora-geral da entidade, Amy Pope, afirmou que a continuidade dessas mortes evidencia uma falha global e defendeu a ampliação de caminhos seguros e regulares para migrantes.
As travessias marítimas continuam entre as mais letais. O Mar Mediterrâneo concentrou ao menos 2.108 mortes e desaparecimentos no último ano, enquanto a rota atlântica rumo às Ilhas Canárias, na Espanha, registrou 1.047 vítimas. Na Ásia, cerca de 3 mil migrantes morreram, mais da metade deles afegãos. Já no Chifre da África, trajeto que liga o Iêmen aos países do Golfo, foram contabilizadas 922 mortes — aumento expressivo em relação ao ano anterior — com predominância de cidadãos etíopes entre as vítimas.
Com sede em Genebra, a OIM está entre as organizações impactadas por cortes significativos de financiamento internacional, o que levou à redução ou suspensão de programas de apoio. A entidade alerta que a diminuição desses recursos tende a agravar a vulnerabilidade de migrantes em trânsito e reforça a necessidade de ampliar rotas seguras e políticas de proteção para evitar novas tragédias.