
Polícia Civil mira Comando Vermelho; delegado afirma que não há político com foro investigado; David anuncia candidatura na segunda. (Foto: Lyandra Peres/PC-AM)
A Operação Erga Omnes, deflagrada nesta sexta-feira (20) pela Polícia Civil do Amazonas, tem como foco a atuação do Comando Vermelho (CV) no Estado e apura, segundo a corporação, quatro anos de movimentações criminosas que teriam alcançado cerca de R$ 70 milhões em transações financeiras. Há oito presos, conforme lista ao final desta matéria.
De acordo com a investigação, os alvos estão distribuídos em Manaus e em outros estados: Belém (PA), Ananindeua (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Teresina (PI) e Estreito (MA). O inquérito aponta uma estrutura interestadual de suporte logístico e financeiro à organização criminosa.
Entre os presos no Amazonas está a ex-chefa de gabinete do prefeito de Manaus, David Almeida, Anabela Cardoso Freitas. O fato adiciona forte componente político ao caso, especialmente porque o prefeito anunciou que, na próxima segunda-feira, lançará candidatura ao Governo do Estado. No mesmo movimento político, o atual chefe da Casa Civil e ex-vice-prefeito, Marcos Rotta, deverá ser lançado candidato ao Senado.
Apesar da repercussão, a Polícia Civil foi enfática ao afirmar que não há agentes políticos com foro privilegiado entre os investigados. O delegado Marcelo Martins, responsável pela investigação, declarou em coletiva que, “caso surjam elementos envolvendo autoridades com prerrogativa de foro, as provas serão encaminhadas às instâncias competentes”.
A Prefeitura de Manaus também divulgou nota oficial esclarecendo que não é alvo da operação e que nem o prefeito nem a estrutura administrativa municipal integram o objeto da investigação. O comunicado sustenta que é “inaceitável que setores da política tentem distorcer fatos para criar narrativas mentirosas” e afirma que eventual responsabilidade será individualizada, sem prejuízo do funcionamento da máquina pública.
O ambiente político se torna ainda mais sensível diante das articulações para 2026. Nos bastidores, há sinais de que o atual vice-governador, Tadeu de Souza — indicado à chapa de Wilson Lima pelo próprio prefeito — poderá disputar a reeleição ao cargo, enquanto Wilson Lima deve renunciar para concorrer ao Senado. O redesenho das alianças amplia a tensão no cenário estadual.
É importante contextualizar que, historicamente, Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) mantiveram uma espécie de “acordo operacional” com a facção regional Família do Norte (FDN). Esse equilíbrio teria sido rompido após aproximação de um dos líderes da FDN com Fernandinho Beira-Mar, dentro do sistema prisional, desencadeando disputa violenta por pontos de venda de drogas. O confronto resultou, segundo as autoridades, na quase eliminação da FDN pelo CV no Amazonas.
A investigação segue em curso, com análise técnica do material apreendido. A corporação não descarta novos desdobramentos, mas reforça que, até o momento, não há autoridades com foro privilegiado na lista de investigados.
• Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas;
• Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas;
• Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. Foi chefe de gabinete do prefeito da capital até 2023;
• Alcir Queiroga Teixeira Júnior – citado na investigação como ligado a movimentações financeiras suspeitas;
• Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar;
• Osimar Vieira Nascimento – policial militar;
• Bruno Renato Gatinho Araújo – investigado por participação no esquema.
• Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara (AM)
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