
Bebê prematura que sobreviveu a naufrágio no Encontro das Águas está bem, ainda em Manaus
Uma bebê prematura de apenas cinco dias de vida sobreviveu ao naufrágio da lancha Lima de Abreu XV, ocorrido nas proximidades do Encontro das Águas, em Manaus, e está bem, na zona Norte da capital, ao lado da mãe. Para a família, a sobrevivência da pequena Isis Lorena é descrita como um verdadeiro milagre.
A embarcação havia saído de Manaus com destino a Nova Olinda do Norte quando naufragou, na última sexta-feira (13), após enfrentar forte banzeiro. Duas pessoas morreram, sete seguem desaparecidas e dezenas foram resgatadas.
Isis nasceu prematura, com 35 semanas, e havia apenas cinco dias deixado a maternidade quando enfrentou, nos braços da mãe, uma das maiores provações de sua curta vida.
“Eu não vi mais minha filha. Eu vi até quando ela estava no colo do meu tio. Aí foi a hora que afundou. Quando eu tentei subir, ainda fiquei presa lá embaixo. Quando consegui e voltei procurando ela, não achei mais. Eu gritava: ‘Pelo amor de Deus, salva minha neta’”, relatou a mãe, ainda emocionada.
Durante o naufrágio, mãe e filha foram separadas no meio do desespero. Passageiros tentavam se manter à tona enquanto aguardavam socorro. A bebê foi passada de mão em mão até que alguém teve a ideia de colocá-la dentro de uma caixa térmica de plástico — um cooler — para protegê-la da água e das ondas fortes.
“Foi inacreditável ver minha filha viva depois de tudo aquilo. Tanta gente em desespero, se afogando… e minha filha com apenas cinco dias de vida”, disse.
A caixa térmica ajudou a manter a criança protegida enquanto era arrastada pela correnteza até se aproximar de outra embarcação.
“Parece que foi Deus. Jogaram ela dentro do cooler e Deus arrastou pra perto do barco. Aqui a mãe, operada, tinha feito cesárea. Quase ela morre”, contou.
Mãe e filha foram retiradas da água e encaminhadas para atendimento médico. Após avaliação, receberam alta. Hoje, acolhidas na casa de familiares na zona norte de Manaus, tentam assimilar o que viveram.
O Encontro das Águas — fenômeno natural onde os rios Negro e Solimões correm lado a lado sem se misturar — foi cenário de medo e desespero, mas também de solidariedade. Cerca de 25 bombeiros, além de equipes da Polícia Militar, SAMU e Marinha do Brasil, atuaram no resgate.
A empresa responsável pela embarcação informou que apura as circunstâncias do acidente. Para a família de Isis Lorena, porém, a palavra que resume tudo é outra: recomeço. “Ela nasceu duas vezes”, diz um parente.