29/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

CIA articula presença permanente na Venezuela após queda de Maduro

Publicado em 27 de janeiro, 2026

Planos do governo Trump preveem atuação inicial da agência antes mesmo da reabertura da embaixada americana em Caracas. (Foto: Reprodução)

Autoridades dos Estados Unidos trabalham nos bastidores para estabelecer uma atuação fixa da CIA em território venezuelano, como parte da estratégia do governo Donald Trump para consolidar influência política no país após a destituição de Nicolás Maduro. A informação foi revelada por fontes familiarizadas com as discussões em curso entre a agência de inteligência e o Departamento de Estado.

Segundo interlocutores ouvidos pela imprensa americana, a ideia é que a CIA lidere a reentrada institucional dos EUA na Venezuela, diante do atual cenário de instabilidade política e fragilidade na segurança interna. Em um primeiro momento, a presença americana pode ocorrer por meio de um anexo da agência, antes mesmo da reabertura formal da embaixada em Caracas.

A proposta permitiria aos agentes iniciar contatos informais com diferentes setores do novo governo venezuelano, além de lideranças da oposição, com o objetivo de mapear riscos, estabelecer canais de interlocução e antecipar possíveis ameaças. A estratégia segue um modelo semelhante ao adotado anteriormente na Ucrânia.

De acordo com fontes ligadas ao planejamento, a CIA deverá atuar também como principal elo de comunicação em assuntos sensíveis relacionados a potências como China, Rússia e Irã, repassando às autoridades venezuelanas informações consideradas estratégicas para os interesses norte-americanos.

A visita recente do diretor da CIA, John Ratcliffe, à Venezuela marcou o primeiro encontro de alto nível do governo Trump com a nova liderança do país. Durante a viagem, ele se reuniu com a presidente interina, Delcy Rodríguez, e comandantes militares, transmitindo a mensagem de que o território venezuelano não deve mais servir como abrigo para adversários dos Estados Unidos.

Fontes indicam ainda que a agência teve papel decisivo na operação que levou à captura de Maduro, mantendo agentes em solo venezuelano nos meses anteriores e contando com apoio interno no rastreamento dos deslocamentos do ex-ditador.

Apesar dos avanços, o futuro da presença americana na Venezuela permanece indefinido. Integrantes do governo admitem que ainda não há diretrizes claras da Casa Branca sobre os objetivos de longo prazo da missão, tampouco um cronograma preciso para a retomada completa das atividades diplomáticas.

Desde 2019, os Estados Unidos mantêm suas operações diplomáticas voltadas à Venezuela a partir de Bogotá, na Colômbia. Recentemente, o Departamento de Estado deu início a avaliações técnicas para uma possível reabertura gradual da embaixada em Caracas, enviando equipes reduzidas para inspeção da estrutura e das condições de segurança.

A expectativa do governo Trump é também reativar investimentos de empresas petrolíferas americanas no país, como parte do processo de reconstrução econômica. No entanto, especialistas alertam que a instabilidade interna e a reação da população venezuelana à presença mais ostensiva da CIA ainda representam fatores de incerteza para o sucesso da estratégia.

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