04/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Brasil assume proteção dos interesses do México no Peru após ruptura diplomática

Publicado em 26 de janeiro, 2026

Brasil assume proteção dos interesses do México no Peru após ruptura diplomática

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a decisão atende a um pedido formal do governo mexicano e contou com o consentimento das autoridades peruanas (Foto: Agência Brasil)

O governo brasileiro informou neste domingo (25) que passou a representar oficialmente os interesses diplomáticos do México no Peru, após o rompimento das relações entre os dois países ocorrido em novembro do ano passado.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a decisão atende a um pedido formal do governo mexicano e contou com o consentimento das autoridades peruanas. A medida está prevista na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961, que permite a um terceiro país assumir a proteção dos interesses de uma nação quando há suspensão das relações bilaterais.

De acordo com o Itamaraty, a representação brasileira inclui a guarda das instalações da embaixada mexicana em território peruano, abrangendo a residência do chefe da missão, além da proteção de bens e arquivos diplomáticos.

A crise entre México e Peru teve início no começo de novembro, quando Lima anunciou o rompimento diplomático em reação à decisão do governo mexicano de iniciar um processo de concessão de asilo à ex-primeira-ministra peruana Betsy Chávez. Dias depois, o Congresso peruano declarou a então presidente do México, Claudia Sheinbaum, persona non grata, alegando interferência indevida nos assuntos internos do país.

À época, o chanceler peruano, Hugo de Zela, afirmou que o México teria cometido um “ato hostil” ao oferecer asilo a Chávez, acusada de participação na tentativa de golpe liderada pelo ex-presidente Pedro Castillo. Segundo ele, o governo mexicano divulgou uma versão considerada parcial e ideologicamente orientada dos acontecimentos ocorridos em 2022.

Castillo foi destituído e preso após tentar dissolver o Congresso peruano, e sua ex-primeira-ministra responde a acusações criminais relacionadas ao episódio. Zela também criticou a tentativa do México de apresentar os envolvidos como vítimas de perseguição política.

A relação entre os dois países já vinha se deteriorando desde o governo de Andrés Manuel López Obrador, quando o México passou a apoiar Pedro Castillo mesmo após a ruptura institucional. Em maio de 2023, o Congresso peruano chegou a declarar o então presidente mexicano persona non grata.

Mais recentemente, em fevereiro de 2025, Claudia Sheinbaum voltou a gerar atritos ao classificar como “injusto” o processo judicial contra Castillo, o que levou o Ministério das Relações Exteriores do Peru a reagir, acusando o México de desconsiderar a tentativa de golpe e violar o princípio da não intervenção.

Em nota divulgada nas redes sociais, a presidência peruana reiterou apoio à decisão do chanceler, destacando que a medida foi motivada por repetidas intervenções mexicanas em temas considerados internos do país.

Com a nova atribuição, o Brasil passa a atuar como intermediário diplomático entre México e Peru, zelando pelos interesses mexicanos em território peruano enquanto persistir a suspensão das relações entre os dois governos.

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