
Na gravação compartilhada pelo parlamentar, Lula aparece afirmando que “pobre não nasceu para estudar, pobre nasceu para trabalhar” (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados/Andressa Anholeta/Agência Senado)
O líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), protocolou uma representação junto à Advocacia-Geral da União (AGU) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após a divulgação de um vídeo editado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais.
Na gravação compartilhada pelo parlamentar, Lula aparece afirmando que “pobre não nasceu para estudar, pobre nasceu para trabalhar”. Segundo Lindbergh, o conteúdo foi retirado de contexto e manipulado com o objetivo de atribuir ao presidente um posicionamento oposto ao que ele expressou originalmente.
No documento encaminhado à AGU, o deputado sustenta que houve supressão de trechos, reorganização de frases e reconstrução artificial do discurso presidencial, prática que, segundo ele, se enquadra em técnicas recorrentes de desinformação audiovisual.
A fala original de Lula ocorreu durante evento na Casa da Moeda, na cerimônia que marcou os 90 anos da criação do salário mínimo, quando o presidente defendia a ampliação de políticas públicas para facilitar o acesso de jovens pobres às universidades.
Na ocasião, Lula mencionou a demora histórica do Brasil para implantar sua primeira universidade, apenas em 1920, ao comparar o país com outras nações da América Latina. Segundo ele, esse atraso refletia uma lógica excludente, segundo a qual apenas filhos das elites teriam direito à educação superior, enquanto os mais pobres seriam destinados apenas ao trabalho manual.
Ainda no discurso, o presidente ressaltou que o objetivo de seu governo é ampliar oportunidades para que jovens de origem humilde possam ocupar posições de destaque profissional, como médicos, engenheiros e professores, e não apenas funções operacionais, ainda que igualmente dignas.
Além da questão envolvendo o vídeo, Lindbergh também criticou declarações feitas por Flávio Bolsonaro sobre uma suposta relação entre Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado por suspeita de envolvimento em fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social.
O senador afirmou que Fábio Luís receberia valores mensais provenientes do esquema, embora o filho do presidente não seja alvo formal de investigação da Polícia Federal. A PF apura apenas menções ao seu nome para verificar se há elementos que justifiquem eventual abertura de inquérito.
Para Lindbergh, essas declarações extrapolam a crítica política e avançam para a imputação de crimes sem respaldo judicial, ampliando o impacto daquilo que classifica como informação falsa.
O parlamentar também argumenta que a divulgação de vídeos fora de contexto se tornou uma prática recorrente no cenário político, contribuindo para a distorção do debate público e para o enfraquecimento da democracia.
Ao final da representação, Lindbergh solicita a abertura de investigação pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), adoção de medidas preventivas pela AGU, além de encaminhamento do caso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ele também pede que seja reconhecido que a eventual exclusão do conteúdo não elimina a ilegalidade do ato e que os órgãos competentes, como a Procuradoria-Geral da República (PGR), sejam comunicados.
*Com informações da CNN