
Estado alcança quase mil médicos, mas municípios avaliam que quantidade ainda é insuficiente para atender o interior. (Foto: Divulgação/Semsa)
O programa Mais Médicos registrou um crescimento de 169% no número de profissionais atuando no Amazonas desde a sua recriação, em 2023. O estado passou a contar com 989 médicos vinculados à iniciativa em 2025, consolidando uma expansão contínua ao longo dos últimos três anos, especialmente em municípios do interior.
O programa foi criado em 2013 e retomado uma década depois, após ter sido substituído por outra política federal de provimento médico entre 2019 e 2022. A retomada ampliou significativamente a presença de profissionais em regiões marcadas por grandes distâncias geográficas, dificuldades logísticas e infraestrutura limitada.
Dados mostram que, em 2022, o Amazonas contava com 377 médicos vinculados ao programa então vigente. Em 2023, já sob o Mais Médicos, o número saltou para 918 profissionais. Em 2024, o total chegou a 957, e em 2025 atingiu 989 médicos em atividade.
Apesar do avanço, representantes municipais avaliam que o quantitativo ainda está abaixo do ideal. A estimativa é de que o estado precise de cerca de dois mil profissionais para atender plenamente a demanda dos municípios, considerando as extensões territoriais e a distribuição populacional.
O modelo do programa prevê que cada médico atue integrado a equipes multiprofissionais, compostas por enfermeiros, dentistas e outros profissionais da atenção básica. Além disso, mudanças recentes nas regras federais permitiram que os municípios recebessem mais recursos para fortalecer essas equipes, o que contribuiu para a ampliação do atendimento no interior.
Algumas prefeituras também passaram a buscar alternativas para suprir a ausência de especialistas, criando programas locais e aguardando repasses federais para custear essas contratações. Ainda assim, a carência de profissionais especializados segue como um dos principais desafios fora da capital.
Em municípios do interior, a retomada do programa permitiu recompor quadros médicos nas zonas urbana e rural, fortalecendo o funcionamento das Unidades Básicas de Saúde. A avaliação local é de que o Mais Médicos tem papel estratégico na manutenção do atendimento regular à população em áreas de difícil acesso.
Gestores municipais apontam que a expansão de iniciativas voltadas à especialização médica pode reduzir a necessidade de deslocamento da população até Manaus ou outros grandes centros para consultas e procedimentos. Atualmente, a contratação de especialistas representa um alto custo para os municípios, especialmente em áreas como cirurgia, pediatria e anestesiologia.
Mesmo com os avanços registrados, a interiorização da saúde no Amazonas segue como um desafio estrutural. A ampliação do número de médicos generalistas e especialistas é vista como fundamental para garantir atendimento contínuo e reduzir desigualdades regionais no acesso aos serviços de saúde.