
Presidente dos EUA afirma que grupos criminosos “controlam o México” e diz que nova fase da estratégia antidrogas incluirá ações em solo. (Foto: Reprodução)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país passará a realizar ataques terrestres contra cartéis de droga, ampliando a ofensiva militar que já vinha sendo conduzida no mar, no Caribe e no Pacífico. A declaração foi feita nesta quinta-feira (8), em entrevista à Fox News, sem detalhamento sobre os locais exatos das operações.
“Vamos iniciar ataques terrestres contra os cartéis. Eles controlam o México. É muito triste o que acontece lá”, disse Trump, ao comentar a situação da segurança no país vizinho. Nos últimos meses, o governo norte-americano tem intensificado a pressão sobre o México em temas ligados ao combate ao narcotráfico e ao equilíbrio comercial entre os dois países.
No domingo anterior, o presidente norte-americano voltou a defender que o México “recupere o controle” de seu território. Trump afirmou ainda ter convencido a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, a permitir a atuação de forças dos Estados Unidos no combate aos cartéis que operam no país — uma versão que contrasta com declarações anteriores da governante, que já havia rejeitado esse tipo de intervenção.
A escalada ocorre poucos dias após uma operação controversa das forças norte-americanas, no sábado (3), que resultou no sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos são acusados pela Justiça dos EUA de narcoterrorismo e de envolvimento na exportação de grandes quantidades de cocaína. Em reação, Sheinbaum declarou que “o continente americano pertence aos povos de cada um dos países que o compõem”, reforçando o discurso de defesa da soberania nacional.
Desde meados do ano passado, os Estados Unidos mantêm um dispositivo militar ativo nas águas do Caribe e realizaram bombardeios contra embarcações provenientes da Venezuela, alegando combate ao narcotráfico. Essas operações têm sido alvo de críticas de especialistas, organizações não governamentais e representantes das Nações Unidas, que questionam a legalidade das ações e a ausência de provas públicas de que os navios transportavam drogas.
No fim de dezembro, Trump afirmou que forças norte-americanas destruíram uma área de desembarque usada por barcos supostamente ligados ao tráfico na Venezuela. Até o momento, o governo dos EUA não apresentou evidências concretas que confirmem essas acusações.
As declarações sobre ataques terrestres elevam a preocupação internacional quanto a possíveis violações de soberania e ao risco de agravamento das tensões diplomáticas na região, especialmente nas relações entre Washington e seus vizinhos latino-americanos.