29/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Mudanças nas regras podem reduzir custo da CNH em mais de 70% a partir de 2026

Publicado em 24 de dezembro, 2025

Aplicativo CNH do Brasil já soma mais de 19 milhões de usuários

Nova legislação diminui carga horária prática, torna curso teórico gratuito e impõe teto para exames médicos e psicológicos. (Foto: Reprodução)

O processo para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) deve ficar significativamente mais barato a partir de 2026. Mudanças aprovadas no fim de 2025 podem reduzir os custos em mais de 70%, segundo estimativas baseadas nos novos parâmetros definidos pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e pelo governo federal.

Com as novas regras, o valor médio para tirar a CNH em estados como Minas Gerais pode cair de cerca de R$ 2.255 para aproximadamente R$ 660, mesmo com a inclusão do exame toxicológico obrigatório. A redução decorre da Resolução nº 1020/2025 do Contran e da Medida Provisória nº 1327/2025, que já estão em vigor, embora a MP ainda precise ser analisada pelo Congresso Nacional dentro do prazo legal.

A principal mudança está na formação prática. Antes, o candidato era obrigado a cumprir 20 horas de aulas de direção em autoescolas, etapa que concentrava mais de 60% do custo total. Com a nova regulamentação, passam a ser exigidas apenas duas aulas práticas, que podem ser realizadas com instrutores credenciados ou autoescolas, reduzindo significativamente o valor gasto.

Outra alteração relevante é a gratuidade do curso teórico. As 45 horas-aula de legislação, antes cobradas pelas autoescolas, passam a ser oferecidas de forma online e gratuita pelo Ministério dos Transportes, por meio do aplicativo CNH do Brasil. Com isso, deixa de existir um custo médio que girava em torno de R$ 320.

Também deixa de ser necessário, na maioria dos casos, o aluguel de veículo para a prova prática, já que o candidato poderá utilizar carro próprio, desde que atenda às exigências do Detran. A taxa de licença de aprendizagem tende a ser incorporada ao sistema digital, eliminando outra cobrança adicional.

Em contrapartida, o novo modelo inclui o exame toxicológico obrigatório para candidatos às categorias A e B, com custo médio estimado em R$ 120. Ainda assim, o impacto desse novo item é considerado baixo diante das demais reduções. Além disso, os exames médico e psicológico passam a ter valor máximo fixado em R$ 180, bem abaixo do praticado anteriormente.

Mesmo com a queda expressiva, o valor final para obtenção da CNH pode variar de acordo com o estado, já que parte das taxas permanece sob responsabilidade dos Detrans locais, que ainda estão ajustando seus sistemas às novas exigências.

Na prática, as mudanças reforçam o objetivo do governo federal de ampliar o acesso à habilitação, especialmente entre jovens e trabalhadores de menor renda, em um país que figura entre os que possuem um dos processos de emissão de CNH mais caros do mundo.

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