06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Defensoria contesta decisão do STF que tornou Eduardo Bolsonaro réu

Publicado em 17 de dezembro, 2025

Defensoria contesta decisão do STF que tornou Eduardo Bolsonaro réu

Órgão afirma que declarações do deputado estão protegidas pela liberdade de expressão e pela imunidade parlamentar. (Foto: Reprodução)

A Defensoria Pública da União (DPU) recorreu da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que tornou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) réu pelo crime de coação. No recurso, o órgão sustenta que as manifestações do parlamentar contra o Judiciário estão amparadas pela Constituição Federal, que garante a liberdade de expressão e a imunidade parlamentar no exercício do mandato.

Segundo a DPU, as críticas feitas por Eduardo se inserem no âmbito da atividade legislativa e, por isso, não poderiam fundamentar a abertura de um processo criminal. Para a defesa, a imunidade parlamentar tem como finalidade proteger o debate político, assegurar a independência do Poder Legislativo e impedir pressões externas ou retaliações judiciais contra representantes eleitos.

“A imunidade blinda a deliberação parlamentar de pressões externas e do risco de retaliação judicial, permitindo o controle efetivo dos demais poderes, o debate franco e a crítica severa”, argumenta a Defensoria no pedido encaminhado ao STF. O órgão acrescenta que essa garantia é condição essencial para o funcionamento do regime democrático.

A defesa também destaca que as declarações atribuídas ao deputado não foram feitas de forma reservada ou clandestina, mas publicamente, em entrevistas, redes sociais e plataformas digitais, o que, segundo a DPU, reforça o caráter político das manifestações.

Eduardo Bolsonaro foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que o acusa de atuar, ao lado do jornalista Paulo Figueiredo, junto a autoridades dos Estados Unidos para fomentar um ambiente de instabilidade institucional. De acordo com a PGR, as articulações teriam resultado em sanções estrangeiras contra autoridades brasileiras, com o objetivo de interferir em decisões do STF, especialmente no julgamento relacionado à tentativa de golpe de Estado.

No voto que embasou a aceitação da denúncia, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, afirmou que a PGR apresentou indícios suficientes de que o deputado buscou criar um cenário de pressão institucional por meio de ações realizadas no exterior. Entre os elementos citados estão a suspensão de vistos de ministros do STF e de seus familiares, sanções econômicas e a aplicação da Lei Magnitsky.

Com a aceitação da denúncia, o parlamentar passou a responder formalmente a um processo penal no Supremo. Caberá agora ao ministro Alexandre de Moraes analisar o recurso apresentado pela Defensoria Pública da União. A ação penal deve ser julgada no primeiro semestre do próximo ano, após a fase de instrução, que inclui oitiva de testemunhas, produção de provas e interrogatório do deputado.

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