
Amom cobra dados e oferece apoio a indígenas com ‘Fogo Selvagem’ no Médio Solimões
A visita de fiscalização do deputado federal Amom Mandel à Casa de Saúde Indígena de Tefé, no Médio Solimões, revelou um cenário preocupante de crianças e adolescentes indígenas convivendo há anos com o chamado “Fogo Selvagem”, nome popular do pênfigo foliáceo, doença autoimune grave que provoca feridas extensas e debilitantes.
A ausência de dados oficiais sobre a incidência da doença entre povos indígenas do Amazonas chamou a atenção do parlamentar, que cobrou ação emergencial e esforços institucionais para enfrentar a subnotificação. Técnicos do DSEI Tefé relataram que o número de casos pode chegar a dezenas, possivelmente centenas, apenas na região do Médio Solimões.
Durante a inspeção, Amom ouviu relatos que evidenciam a gravidade da situação. Uma criança indígena de cinco anos está em tratamento contínuo há dois anos e não retorna à aldeia há pelo menos seis meses. Uma adolescente de quinze anos vive quadro semelhante, passando por longos ciclos de corticoide que já causam efeitos colaterais visíveis. Ambas permanecem na CASAI e terão seus nomes preservados em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente.
Sensibilizado pela condição das pacientes, e também por sua própria trajetória com doenças autoimunes crônicas, Amom ofereceu apoio imediato. Ainda na unidade, ele contatou especialistas de Manaus que se disponibilizaram a recebê-las. A CASAI seguirá responsável pelos trâmites legais, e o deputado assumiu, como pessoa física, o compromisso de custear consultas, exames e medicamentos para que recebam tratamento especializado.
Além da ajuda direta, Amom encaminhou medidas institucionais. Solicitou ao DSEI Tefé um levantamento completo sobre a incidência do pênfigo foliáceo entre povos indígenas da região, incluindo histórico dos pacientes, aldeias afetadas e duração média dos tratamentos. A coordenadora do distrito, Ercília Vieira, afirmou que iniciará a compilação das informações.
Para o parlamentar, o levantamento é essencial para romper o ciclo de invisibilidade que impede a criação de políticas públicas adequadas. Ele afirmou que, caso os relatos se confirmem, o cenário configura um problema de saúde pública que ultrapassa o nível local. Amom pretende levar os dados ao Ministério da Saúde e à Comissão de Saúde da Câmara, além de defender medidas estruturantes, como reforço orçamentário para a saúde indígena, ampliação do acesso a medicamentos imunossupressores modernos e criação de protocolos específicos para regiões onde a doença se mostra endêmica.
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