06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Publicação propõe retrato do país a partir das 12 Macrorregiões Hidrográficas

Publicado em 08 de dezembro, 2025

Foto: Maria Luisa Pimenta

Um retrato do país a partir das 12 Macrorregiões Hidrográficas é a proposta da publicação Território e Meio Ambiente – Estatísticas por Macrorregiões Hidrográficas lançada hoje (8) pelo IBGE. O recorte territorial é adotado como alternativa às divisões administrativas tradicionais para a divulgação de estatísticas, integrando dados sobre Geologia, Geomorfologia, Solos, Vegetação, Cobertura e Uso da Terra e Suscetibilidade a Deslizamentos, além de informações sobre extensão de Biomas e população residente em cada Macrorregião Hidrográfica.

“Com essa publicação o IBGE contribui com a perspectiva de olhar de forma integrada dados ambientais, demográficos e de uso da terra, a partir de uma delimitação espacial definida pela dinâmica hidrográfica do país”, explica Ivone Batista, Gerente de Contas e Estatísticas Ambientais do Instituto.

O estudo destaca a importância das unidades territoriais hidrográficas como um recorte geográfico fundamental de análise ambiental e de planejamento, de forma complementar aos recortes político-administrativos tradicionalmente utilizado para gerar estatísticas.

Fernando Dias, Gerente de Meio Ambiente e Geografia na Superintendência do IBGE em Santa Catarina, explica que “a divulgação de dados demográficos e ambientais em recortes diferentes dos usuais permite que novas dinâmicas territoriais e temporais sejam identificadas”.

As 12 Macrorregiões Hidrográficas (MacroRHs) apresentam grande diferença quanto à extensão territorial. A Amazônica, a do Tocantins-Araguaia e a do Paraná formam o conjunto mais extenso, respondendo, respectivamente, por 45,02%, 11,01% e 10,32% do território nacional – quase dois terços do Brasil somados. Na outra ponta, as menores regiões são a Atlântico Sul e a do Uruguai, cada uma com cerca de 2% da área do país. A distribuição populacional, porém, não acompanha essa abrangência territorial e, apesar da ampla extensão de algumas MacroRHs, a ocupação permanece historicamente concentrada em outras regiões.

Do ponto de vista demográfico, todas as MacroRHs têm predominância urbana, com destaque para Paraná e Atlântico Sudeste, onde mais de 93% da população vive em cidades. Essas duas regiões somam mais de 96 milhões de habitantes, o equivalente a 47,35% do total brasileiro. Já os menores quantitativos populacionais estão nas MacroRHs do Paraguai e do Uruguai, com pouco mais de 2,4 milhões e 4,2 milhões de habitantes, respectivamente, ambas marcadas por forte urbanização. Nas demais regiões – Amazônica, Atlântico Leste, Atlântico Nordeste Ocidental, Atlântico Sul, São Francisco e Tocantins-Araguaia – distribuem-se cerca de 35% dos brasileiros e brasileiras, revelando a persistente desigualdade espacial na ocupação do território.

Mosaicos da paisagem brasileira

A análise da distribuição dos Biomas brasileiros pelas Macrorregiões Hidrográficas revela padrões distintos de ocupação e transição. O Bioma Amazônia predomina na MacroRH Amazônica, cobrindo 96,31% da área, e se estende a outras regiões, como Atlântico Nordeste Ocidental (54,27%), Tocantins-Araguaia (35,93%) e Paraguai (9,49%). Já o Cerrado, por sua ampla extensão e posição central no território, é o Bioma mais frequente, presente em 9 das 12 MacroRH, com destaque para Tocantins-Araguaia (64,07%) e Parnaíba (59,37%).

A Mata Atlântica é outro Bioma de grande relevância, predominando na MacroRH Atlântico Sudeste (99,75%) e ocupando proporções significativas na do Paraná (50,55%), Atlântico Leste (49,82%), Uruguai (49,30%) e Atlântico Sul (46,61%). A Caatinga, característica do sertão nordestino, cobre 87,88% da MacroRH Atlântico Nordeste Oriental e aparece na São Francisco (50,87%), Parnaíba (40,62%) e Atlântico Leste (39,91%). Biomas espacialmente mais restritos, como Pantanal e Pampa, ocorrem em regiões específicas: o Pantanal ocupa 41,77% da MacroRH Paraguai, enquanto o Pampa está presente nas MacroRH Atlântico Sul (53,15%) e Uruguai (50,67%).

“Com exceção das MacroRH Amazônica e Atlântico Sudeste, dominadas por um único Bioma, todas as demais apresentam ao menos duas formações, evidenciando complexos mosaicos ambientais. São Francisco, Paraguai e Atlântico Leste concentram a maior diversidade, integrando Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. A centralidade do Cerrado, presente na maioria das macrorregiões, contrasta com a distribuição mais concentrada de Biomas como Pantanal e Pampa. Esse panorama reforça a heterogeneidade das paisagens naturais do país a serem consideradas na gestão dos nossos recursos hídricos” analisa Fernando.

Desafios para gestão ambiental

A diversidade fisiográfica do Brasil, refletindo a pluralidade de rochas, relevo, solos e vegetação, também influencia em grande medida na ocupação humana, assim como no uso da terra.

Cada MacroRH apresenta uma combinação singular de províncias estruturais, tipos de relevo, de solos e de vegetação. Na Amazônica, por exemplo, predominam Patamares (35,69%) e Depressões (28,71%), com Argissolos (40,21%) e Florestas Ombrófilas Densas (44,51%).

Na MacroRH Paraná, sob a província homônima, destacam-se Planaltos (68,98%) e Latossolos (52,91%), cobertos por Savanas (35,25%) e Florestas Estacionais Semideciduais (27,05%).

Na Atlântico Sudeste, Serras (33,45%) e declividades acentuadas sustentam Florestas Estacionais Semideciduais (51,56%) e Florestas Ombrófilas Densas (32,60%). É nessa MacroRH que se concentram as áreas de maior suscetibilidade a deslizamentos, somando 61,51% do território na classe Muito Alta, devido, principalmente, à predominância de relevos serranos. Esse aspecto também é percebido em menor extensão na Atlântico Sul (18,35%) e Atlântico Leste (15,56%).

Observando-se o mesmo aspecto, as MacroRHs Paraguai, Parnaíba e São Francisco apresentam baixa suscetibilidade, associada a formas de relevo mais planas, com 47,94%, 45,77% e 43,30%, respectivamente, de suas terras tipificadas na classe Muito Baixa.

No que diz respeito à dinâmica territorial, entre os anos 2000 e 2020, todas as MacroRHs estiveram sujeitas a alterações de cobertura e de uso da terra pelas atividades humanas, com um avanço das áreas consideradas antropizadas sobre aquelas consideradas naturais florestais e naturais não florestais.

Em termos proporcionais, o maior incremento de áreas antropizadas ocorreu na MacroRH Amazônica, as quais passaram de 264.896 km², em 2000, para 478.882 km², em 2020, o que representa um aumento de 80,78%. O menor avanço ocorreu na Atlântico Sudeste (1,61%), com suas áreas antropizadas passando de 164.964 km² para 167.627 km².

As maiores perdas, em termos proporcionais, de áreas naturais florestais e naturais não florestais ocorreram, respectivamente, nas MacroRHs do Tocantins-Araguaia e Paraná. Na primeira, a redução foi 28,67% (78.027 km²), enquanto na segunda, 27,75% (22.607 km²).

“Essa compreensão integrada de informações é essencial para reforçar a importância de considerar a pluralidade dos ecossistemas brasileiros, tanto para o planejamento territorial, quanto para a gestão de recursos hídricos e para a avaliação de riscos ambientais. As informações reunidas pelo IBGE oferecem subsídios técnicos valiosos para políticas ambientais e para o fortalecimento da contabilidade e estatística ambiental no Brasil”, conclui Ivone.

Além dos dados estatísticos, os usuários também podem consultar e baixar o recorte geográfico de Macrorregião Hidrográfica na página do Quadro Geográfico e na Plataforma Geográfica Interativa (PGI).

Agência Gov

Veja mais notícias em Geral

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.