05/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Justiça determina transferência de 12 presos de Japurá para Manaus

Publicado em 04 de dezembro, 2025

Justiça determina transferência de 12 presos de Japurá para Manaus

Diante do cenário crítico, da iminência de um colapso estrutural e do risco de rebelião e fuga na 59ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Japurá, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) ingressou com pedido de medida cautelar urgente, solicitando a transferência de custodiados para a capital. Proposta pela promotora de Justiça Emiliana do Carmo Silva, a medida foi acolhida pelo Poder Judiciário, que determinou o deslocamento dos detentos.

O pedido em tutela de urgência sucedeu diversas inspeções na unidade e o recebimento do Ofício nº 78/2025, elaborado pelo delegado da 59ª DIP, Jandervan de Lima da Rocha, detalhando a situação atual de extrema precariedade da delegacia e requisitando “imediata intervenção”.

Inspeções

Durante as inspeções foi constatada superlotação extrema, em que as duas celas da delegacia, com capacidade para oito detentos, atualmente abrigam 38, entre provisórios e condenados. Como também não há cela de isolamento individual, os detentos provisórios são alocados juntos a presos considerados de alta periculosidade, fato que resultou em episódio recente de grave agressão.

A unidade conta com três policiais civis, que precisam exercer desvio de função, atuando como carcereiros. A situação é agravada pela falta de treinamento, colete balístico, armamento adequado e suporte operacional para os policiais, colocando a integridade física dos agentes em risco.

“A manutenção de quase 40 presos em uma delegacia com capacidade para oito pessoas coloca em risco a vida dos custodiados, expõe os policiais a situação de alto perigo e compromete a segurança de toda a população. Delegacia não é presídio: a superlotação extrema favorece fugas, rebeliões e a continuidade da atividade criminosa de dentro das celas. O Ministério Público atua para garantir condições dignas de custódia e para proteger a sociedade desse cenário de iminente colapso”, destacou a promotora Emiliana do Carmo.

Vistoria

Em vistoria realizada em outubro de 2025, foram encontrados seis celulares, carregadores, entorpecentes e outros objetos ilícitos, indicando que os detentos mantêm comunicação constante. A investigação apontou, ainda, que os presos condenados por tráfico de drogas utilizam os celulares para falar com comparsas, ameaçar testemunhas, ordenar agressões e cobranças, mantendo a liderança no tráfico de dentro das celas.

A promotoria destacou o perfil dos custodiados, em que grande maioria apresenta reincidência em crimes graves, como tráfico, associação criminosa, tortura e corrupção de pessoas com idade inferior a 18 anos.

Medida cautelar

Em trecho do pedido de medida cautelar, a promotora destaca que “o ambiente interno é tenso e perigoso, marcado por ameaças constantes de motins, agressões entre presos e intimidações a servidores”.

A Justiça acolheu o pedido de transferência dos 12 detentos, apontados pelo delegado como principais responsáveis pelos episódios de violência, ameaça e desordem. O juiz Fábio Lopes Alfaia, que responde pela Vara Única de Japurá, determinou que o Estado do Amazonas realize, no prazo máximo de 20 dias, a transferência dos internos para unidades prisionais de Manaus.

Em caso de descumprimento, será aplicada multa diária no valor de R$ 5 mil. O estado também deve apresentar um plano de execução da transferência, incluindo o cronograma, a identificação dos presos e as unidades onde serão abrigados.

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