
PNUD prevê “nova era de divergência” e cobra ações políticas para evitar impacto econômico e social. (Foto: Rawpick/Freepick)
A inteligência artificial (IA) pode aprofundar as desigualdades globais e ampliar a distância entre países ricos e pobres, aponta um relatório divulgado nesta terça-feira (2) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O documento faz um alerta direto: sem políticas públicas de proteção e investimento, o avanço da tecnologia pode inaugurar uma “nova era de grande divergência” entre as nações.
Segundo o estudo — intitulado The Next Great Divergence: Why AI May Widen Inequality Between Countries — a IA tende a afetar profundamente três pilares essenciais para o desenvolvimento: desempenho econômico, qualificação da força de trabalho e sistemas de governança.
O relatório lembra que, nas últimas cinco décadas, o comércio internacional, a difusão tecnológica e o aumento do investimento em educação permitiram reduzir as diferenças entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, garantindo melhorias significativas em renda, saúde e escolaridade. Mas esses avanços podem ser corroídos se o acesso à IA — e aos benefícios econômicos associados a ela — ficar restrito ao Norte global.
“Acreditamos que a IA está anunciando uma nova era de aumento da desigualdade entre os países, após anos de convergência”, afirmou Philip Schellekens, economista-chefe do Escritório Regional Ásia-Pacífico do PNUD, em coletiva de imprensa em Genebra.
Embora o cenário seja especialmente preocupante para nações de baixa renda, o relatório afirma que até mesmo países desenvolvidos sofrerão consequências se a desigualdade global se intensificar. Para Schellekens, deixar economias inteiras para trás criará efeitos colaterais que ultrapassam fronteiras.
“Se a desigualdade continuar a aumentar, os impactos em segurança internacional e nas dinâmicas de migração irregular tendem a se agravar”, alertou o economista.
O PNUD defende que governos adotem políticas que democratizem o acesso à tecnologia, garantam capacitação de trabalhadores e promovam modelos de governança que reduzam o impacto desigual da IA. Sem isso, o avanço acelerado das ferramentas de automação e dos sistemas inteligentes pode reforçar disparidades já existentes e criar novos desequilíbrios globais.
O relatório reforça que o momento é decisivo: a forma como os países lidarem agora com a transformação tecnológica determinará quem prosperará na economia global das próximas décadas — e quem ficará ainda mais distante do centro da inovação.