
Documento recomenda tratamento combinado e alerta para desigualdade no acesso. (Foto: Mohammed Al Ali/Shutterstock)
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta segunda-feira (1º) sua primeira diretriz sobre o uso de medicamentos agonistas do GLP-1 para o tratamento da obesidade. A orientação, considerada um marco para a saúde pública, recomenda de forma condicional o uso dessas terapias como parte de um tratamento de longo prazo — e nunca de forma isolada.
Segundo a agência, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem com obesidade, condição que segue crescendo e representa um peso econômico que deve chegar a US$ 3 trilhões anuais até 2030.
A decisão veio em meio ao aumento explosivo da procura por medicamentos como semaglutida, tirzepatida e liraglutida, amplamente conhecidos por sua atuação no emagrecimento e usados em canetas aplicadoras. Todos eles exigem prescrição médica e retenção de receita.
A diretriz traz duas orientações principais:
Uso dos medicamentos GLP-1 por adultos com IMC igual ou superior a 30, exceto gestantes, como parte de um tratamento contínuo contra a obesidade.
Combinação obrigatória das drogas com uma alimentação equilibrada e a prática regular de atividade física.
“O documento reconhece que a obesidade é uma doença crônica que exige cuidados ao longo da vida”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Ele reforçou, no entanto, que “a medicação sozinha não resolverá a crise global”.
Especialistas envolvidos na elaboração do documento destacam que o acesso desigual é hoje o problema mais urgente. Mesmo com a ampliação da produção global, estima-se que menos de 10% das pessoas que poderiam se beneficiar das terapias terão acesso a elas até 2030.
“Nossa maior preocupação é garantir acesso equitativo. Sem coordenação, esses medicamentos podem aprofundar desigualdades entre países ricos e pobres e também dentro deles”, alertou Tedros.
A pesquisadora Marie Spreckley, da Universidade de Cambridge, afirmou que a recomendação condicional é adequada, já que ainda há incertezas sobre o uso prolongado em doses mais altas, além de questões de custo e capacidade dos sistemas de saúde para incorporar as terapias.
Em setembro, a OMS incluiu a semaglutida e a tirzepatida na lista de medicamentos essenciais para diabetes tipo 2 — mas não estendeu a recomendação para obesidade. Agora, com as novas diretrizes, a entidade reforça a necessidade de:
expandir a produção global;
reduzir custos;
e adotar modelos como compras conjuntas, estratégia usada com sucesso em programas internacionais de combate ao HIV.
As recomendações passam a orientar o uso de três medicamentos: semaglutida, tirzepatida e liraglutida. A OMS informou ainda que irá trabalhar com governos e instituições em 2026 para priorizar o acesso aos grupos com maior necessidade.
Com a nova diretriz, a agência busca equilibrar o potencial de impacto das canetas emagrecedoras com a responsabilidade de garantir que elas cheguem à população que mais precisa — sem ampliar desigualdades já existentes.