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A Banda do Boulevard apresentará em 2026 um samba-enredo inteiramente dedicado ao artista Paulo Onça, que morreu recentemente após meses de internação, consequência de uma agressão criminosa, após acidente de trânsito. A homenagem transforma luto em celebração ao legado de um compositor que marcou a cultura popular amazonense e deixou obras que permanecem vivas na memória coletiva.
O tema escolhido, “Paulo Onça Segue Vivo em Seu Cantar”, nasce de uma parceria simbólica: a releitura de um samba originalmente composto pelo próprio Paulo Onça em 2012, criado em tributo aos Trabalhadores do Boulevard. Seguindo o gesto que Elton John fez ao reescrever Candle in the Wind em homenagem a Diana, o Boulevard refez o samba com nova letra para reverenciar o amigo e artista que partiu. A regravação mantém a estrutura melódica criada por Onça, agora revestida de versos de afeto e despedida.
Assinado por Paulo Onça, Mulher do Samba, Joca de Carvalho e Simonetti Neto, e interpretado pela voz marcante de Ito Melodia, o samba evoca a trajetória de um compositor celebrado pela poesia, pelo axé e pela emoção que imprimia em cada música. Os versos destacam o Amazonas na Sapucaí, o feitio de paixão que marcava sua arte e a força de um legado que ganhou ruas, palcos e multidões.
“Lindos versos traçados, Paulo Juvêncio de Melo Israel. O Amazonas na Sapucaí, com muito axé, poesia e coração”, diz a abertura do samba-enredo, reforçando a dimensão afetiva da homenagem. A letra também marca a presença simbólica do artista no desfile: “Paulo Onça é assim, mensageiro da paz, e a saudade, meu amigo, dói demais”.
O refrão, construído para ressoar como um chamado coletivo, diz: “Vem brincar no Boulevard, tua alegria é a nossa voz e ninguém vai nos calar”, transformando memória em resistência — e reafirmando que a violência que o atingiu não define sua história.
Na justificativa, a direção da Banda destaca que o samba representa um gesto de permanência. Ao revisitar a obra de Paulo Onça e reescrevê-la como tributo, o Boulevard busca preservar a potência de sua criação e manter viva sua presença artística. A homenagem, afirmam, é também um reconhecimento do afeto, da contribuição cultural e da força agregadora que Paulo Onça exercia sobre o carnaval de rua, sobre a música e sobre a comunidade.
Com poesia, saudade e celebração, a Banda do Boulevard transforma o desfile de 2026 em um canto de memória para um artista que segue vivo — no ritmo, no verso e no coração de quem canta.
Ouça o samba-enredo:
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