
Provas de linguagens e ciências humanas exigiram vocabulário apurado, pensamento crítico e sólida base de leitura dos candidatos. (Foto: Reprodução)
O primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025, realizado no domingo (9), desafiou os candidatos com uma prova que valorizou a interpretação de texto, o domínio de conceitos e um vocabulário rico. De acordo com a coordenadora do Colégio Objetivo, Vera Lúcia Antunes, o exame foi exigente e demandou mais leitura do que em anos anteriores.
Segundo a professora, a prova apresentou menos imagens e textos mais densos, exigindo atenção redobrada dos estudantes. Em linguagens, por exemplo, o modelo tradicional do Enem, que costumava trazer um texto por questão, foi substituído por um formato com um único texto-base servindo a até cinco perguntas. “Foi uma prova muito bem elaborada, mas que exigiu do candidato domínio da língua e leitura atenta”, avaliou.
Os temas abordados reforçaram discussões sociais e culturais, como diversidade, padrões de beleza, saúde emocional, preconceito e violência contra a mulher. Também houve destaque para a valorização das culturas africana e indígena, com referências ao candomblé e às artes visuais.
Em ciências humanas, o exame manteve o foco na compreensão conceitual. A redução de imagens em história e geografia exigiu dos candidatos mais leitura e análise. Na geografia, a prova priorizou questões sobre energia, meio ambiente, cidades sustentáveis e agricultura — temas presentes em textos de 2022 e 2023. Já em história, o domínio do conteúdo foi essencial para eliminar alternativas incorretas.
As disciplinas de sociologia e filosofia ganharam maior espaço e nível de dificuldade. Questões sobre justiça, direitos, filosofia política e felicidade demandaram um vocabulário mais sofisticado. Um dos destaques foi o uso de um texto de Clarice Lispector para discutir o conceito de antiespecismo, ampliando o repertório ético e social do exame.
Para Vera Antunes, o Enem 2025 confirmou sua vocação de avaliar mais do que memorização. “O exame exigiu conhecimento profundo, leitura constante e repertório linguístico. São essas habilidades que diferenciam o candidato preparado”, concluiu.