
UEA, Capes e Embaixada da França fortalecem protagonismo amazônico rumo à COP30
A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) assumiu um papel de destaque na preparação da Amazônia para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em novembro de 2025, em Belém (PA).
Por meio do Centro de Estudos Superiores de Itacoatiara (Cesit), a universidade recebeu a Caravana Fluvial Iarauçu, uma expedição internacional de ciência e diplomacia ambiental promovida pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD) e pela Embaixada da França no Brasil, em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
A caravana representa uma iniciativa inédita de integração entre países, universidades e comunidades amazônicas, com o objetivo de dar voz à Amazônia nas discussões globais sobre mudanças climáticas. Durante o percurso, o projeto pretende conectar ciência, política e conhecimento tradicional, destacando a necessidade urgente de fortalecer estratégias de adaptação ambiental e de valorização dos povos que vivem nos territórios diretamente afetados pelas transformações climáticas.
A expedição fluvial da Iarauçu navegará por cerca de 3 mil quilômetros, passando por nove municípios amazônicos: Manaus, Itacoatiara, Parintins, Óbidos, Santarém, Monte Alegre, Almeirim, Gurupá, Breves e Belém. A travessia envolve uma equipe multidisciplinar composta por pesquisadores, professores, cientistas, estudantes, representantes diplomáticos e lideranças comunitárias, que realizarão encontros, oficinas e debates ao longo da viagem.
Cada parada será marcada por ações educativas e científicas, reunindo comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas e populações urbanas para discutir temas como resiliência climática, transição energética, segurança alimentar, educação ambiental e bioeconomia sustentável.
Durante o percurso, a embarcação também funcionará como laboratório itinerante, com coleta de dados sobre qualidade da água, biodiversidade e indicadores ambientais. Essas informações serão utilizadas em pesquisas conjuntas entre o IRD, a Capes e universidades amazônicas, incluindo a UEA, a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).

O projeto Iarauçu busca articular diplomacia científica e engajamento social, inspirando novos acordos internacionais de cooperação em pesquisa e inovação, valorizando a Amazônia como território de soluções globais, e não apenas de vulnerabilidades. Para o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UEA, Prof. Dr. Roberto Mubarac, a presença da Capes e da Embaixada da França no Amazonas reforça o reconhecimento do papel estratégico da universidade na formação de profissionais comprometidos com o futuro sustentável da região.
“A UEA tem investido em projetos que unem educação, sustentabilidade e inovação. Esse encontro é uma oportunidade para mostrar o protagonismo da universidade na preparação da Amazônia, não apenas para a COP30, mas para o futuro que queremos construir depois dela. A ciência amazônica precisa ser ouvida e respeitada nos espaços internacionais de decisão”, destacou Mubarac.
Representantes do IRD e da Embaixada da França enfatizaram que o projeto simboliza uma nova etapa na cooperação científica entre Brasil e França, que já conta com parcerias em temas como biodiversidade, mudanças climáticas e bioeconomia. O adido científico da Embaixada da França no Brasil, Jean-Paul Roger, afirmou que o objetivo é “criar pontes entre a ciência e as comunidades, unindo saberes tradicionais e pesquisa aplicada para construir soluções que nasçam dentro da própria Amazônia”.
Além das atividades científicas, a Caravana Iarauçu inclui ações culturais e pedagógicas, com oficinas de fotografia, contação de histórias, exposições de arte e sessões de cinema ambiental. O projeto também promoverá a publicação de um “Diário de Bordo da Amazônia”, com relatos de pesquisadores, estudantes e moradores das comunidades visitadas, em português e francês, reforçando o caráter intercultural da iniciativa.
A bordo, a tripulação contará com professores e alunos da UEA, artistas e comunicadores comunitários, que vão registrar e compartilhar as experiências em tempo real nas redes sociais do projeto e no portal oficial do IRD.
A jornada fluvial da Iarauçu culminará em Belém, durante a COP30, quando os participantes apresentarão os resultados da expedição, painéis temáticos e recomendações aos tomadores de decisão nacionais e internacionais. A expectativa é que o material sirva de subsídio para políticas públicas de adaptação climática e valorização dos conhecimentos locais. Para a UEA, o projeto reafirma o papel da universidade como ponte entre ciência, sociedade e território, promovendo uma nova visão sobre o papel do Amazonas na agenda global do clima.
Mais informações sobre o percurso e o diário da expedição podem ser acompanhadas em https://pt.ird.fr/iaracu-diario-de-bordo.
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