
A pesquisa aponta que 37% dos brasileiros pretendem gastar menos neste ano, um aumento em relação aos 33% registrados em 2024 (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
A expectativa de gastos com o Dia das Crianças, celebrado neste domingo (12), apresenta redução em relação ao ano passado, especialmente entre famílias de renda mais baixa, segundo levantamento do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas).
A pesquisa aponta que 37% dos brasileiros pretendem gastar menos neste ano, um aumento em relação aos 33% registrados em 2024. Por outro lado, aqueles que planejam aumentar os gastos diminuíram de 9,1% para 8,5%, enquanto a maior parte dos consumidores (54,3%) pretende manter o mesmo valor do ano passado.
Segundo Anna Carolina Gouveia, economista e pesquisadora da FGV IBRE, os dados refletem a desaceleração do consumo e a queda da confiança do consumidor.
“A segunda queda do indicador de ímpeto de compras no Dia das Crianças está em linha com a desaceleração do nível de atividade e do consumo das famílias nos últimos meses, além da queda da confiança do consumidor em relação ao ano passado, apesar do quadro ainda favorável do mercado de trabalho e da desaceleração recente da inflação.”
“O menor ímpeto pode estar relacionado ao nível de endividamento e de inadimplência elevados dos consumidores, em contexto das altas taxas de juros, deixando as famílias mais cautelosas com seus gastos.”
A redução foi mais significativa entre os brasileiros que recebem até R$ 2,1 mil, com 46,2% declarando que gastarão menos, enquanto apenas 3,2% planejam aumentar os gastos. Entre aqueles com renda de R$ 2,1 mil a R$ 4,8 mil, houve aumento na intenção de compras em comparação a 2024.
O levantamento indica que o valor médio dos presentes caiu de R$ 68,07 em 2024 para R$ 63,93 em 2025. A queda foi mais acentuada entre as famílias com renda menor: aqueles que recebem até R$ 2,1 mil planejam gastar R$ 47,17 em média, enquanto a faixa mais alta (acima de R$ 9.600,01) deve gastar R$ 80,13.
Entre os presentes escolhidos para a data, o dinheiro registrou crescimento, passando de 7,9% para 12,1%. Apesar disso, brinquedos e jogos continuam liderando as preferências, com 35%, seguidos por roupas e acessórios (26,3%). A pesquisa mostra ainda que o interesse por livros cresceu para 13,2%, enquanto os eletrônicos permanecem como opção minoritária, escolhidos por apenas 3,9% dos consumidores.